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15 de Outubro de 2017
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2017 - Dossiê Morte de Mário Soares: Actuação do estadista no conflito em Angola PDF  | Imprimir |  E-mail

Actuação do estadista no conflito em Angola

Soares gostaria de ter ajudado a fomentar uma solução de paz

 

© Eugénio Costa Almeida


Não conheci pessoalmente o falecido antigo Chefe de Governo e Presidente português Mário Soares. Todavia, conheci pessoas que com ele privaram muito proximamente e que diziam que muitos de nós, éramos um pouco injustos com ele. A História um dia o dirá.

Como se sabe, Mário Soares, enquanto Ministro dos Governos Provisórios portugueses do pós 25- de Abril, teve um papel activo na descolonização das ex-colónias portuguesas. Tem sido, justa ou injustamente, acusado de ter praticado uma deficiente descolonização. Isso, a História – quando todos os documentos desta matéria forem desclassificados – o dirá.

No que toca a Angola, sabemos que teve sempre um papel um pouco dúbio, quer quanto à descolonização, propriamente dita, talvez porque os protagonistas, ao contrário de Moçambique, não lhe mereciam muito crédito, principalmente, os que gravitavam em torno dos movimentos emancipalistas nacionais; quer quanto, e enquanto líder governativo, no que se referia às relações entre estados e entre membros governativos.

Sabe-se, quem o conhecia bem, que Mário Soares, gostaria de ter ajudado a fomentar uma solução de paz entre os irmãos angolanos desavindos e que dessa solução o País tivesse uma mais rápida e duradoura conciliação e concórdia que lhe permitisse sair da situação de guerra mais cedo e mais cedo ter enveredado por um caminho de desenvolvimento e prosperidade que ainda não temos. Mário Soares via nessa Paz mais rápida uma via para um sistema político mais abrangente e mais distributivo. Uma democracia mais conciliável com o sistema democrático representativo vigente, por exemplo, em Portugal.

Também tentou reconciliar – paradoxalmente, isso só foi conseguido com partidos conservadores portugueses – Portugal e Angola naquilo que ele considerava como sendo – e, com a devida vénia, cito o Africa Monitor, – um “redimir Portugal das graves responsabilidades na má sorte de Angola”. Ora como Agostinho Neto, uma vez afirmou, era mais fácil conversar com a direita portuguesa que com os socialistas – o MPLA é partido-irmão do PS na Internacional Socialista – devido não sofrerem de complexos de neocolonização. E isso era algo que, como me afirmavam, Mário Soares não sofria. Ele via o todo, não particular. Só que um Chefe de Governo, num sistema pluralista, também tem limites nas suas decisões governativas. Elas são de consenso, não de imposição.

Talvez que o seu mandato enquanto Presidente não tenha sido o melhor. Factos externos a isso contribuíram. Mas isso, de certeza, o dossier do Novo Jornal o mostrará.

Esperemos pelos factos históricos que, um dia, nos esclarecerão de tudo o que se passou nas relações entre os nossos dois países. Nós, angolanos, só devemos agradecer se ter imposto a Spínola para que os três D’s (Descolonizar, Democratizar e Desenvolver) do MPF tenham sido levados por diante. Deveria ter sido mais cauteloso, no nosso caso, que tínhamos 3 movimentos de raiz ideológica diferentes? Sim, deveria. E aí também nós já gozaríamos não só do primeiro “D” como dos outros dois. Ainda vamos a tempo para o recordarmos e à sua memória política.

Aguardemos pela História!

Publicado no Novo Jornal, edição 465, de 13 de Janeiro de 2017 (Análise integrada no dossiê dedicado a Mário Soares, ex-presidente português, falecido em 7 de Janeiro passado), página 4 com o título: «Actuação do estadista no conflito em Angola» e sub-título «Soares gostaria de ter ajudado a fomentar uma solução de paz» - ver pdf do artigo publicado aqui .


 
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