| 2003 - Palavras Soltas | | Imprimir | |
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PALAVRAS SOLTAS
por: Eugénio Costa Almeida© 1 Almeida Santos, de visita a Angola, afirmou que Portugal não tem providenciado uma melhor Cooperação com as suas ex-colónias africanas, parecendo concordar com as palavras do presidente Sampaio, em Argélia. De facto, parece que a Cooperação portuguesa, e se de cooperação se pode falar, se fica, em regra, por meras intenções, sectores específicos (meios audiovisuais, petróleo) e pouco mais. O p.m. português, na sua recente visita a Angola levou uma grande comitiva com ele, entre empresários e potenciais empregadores. Mas, até ao momento, o que da visita transpirou foi somente o fracasso da renegociação da “velhinha” dívida de Angola a Portugal, várias vezes renegociada, reescalonada e nunca claramente tipificado o seu efectivo pagamento ou perdão. A este tema, dado a sua complexidade, viremos numa próxima edição. 2 O Jornal de Angola edição online de 10 p.p., citando um artigo de Hermínio Santos, no Diariodigital.pt, parece contestar a manutenção do segredo bancário suíço. Nesse artigo, H. S. advoga o levantamento do sigilo bancário no que seria “... uma das melhores estratégias para combater a fraude e a evasão fiscal...”, criticando a manutenção do sigilo bancário, como o do suíço. Só que se esqueceu do Luxemburgo, país europeu com maior número de bancos ‘per capita’, ou a do Liechtenstein, um pequeno, mas rico, principado junto à Suíça. Mas, o que aconteceria se a Suíça acatasse as orientações da UE e acabasse com o seu histórico sigilo. Pensemos, no Angola-Gate e em algumas personalidades angolanas que veriam os seus ‘hipotéticos’ activos serem examinados por algumas autoridades europeias. 3 A edição online do J.L. anuncia, citando J. Harmack, do FMI, que os santomenses terão de indexar os próximos aumentos salariais aos fundos do petróleo que, ainda segundo aquele porta-voz, poderão elevar-se, já em 2004, a cerca de 200 milhões de dólares. Referia-se ao bónus da assinatura da venda dos primeiros blocos. Deve ser por isso que o FMI já avisou que STP deverá deixar de pertencer aos países candidatos ao perdão da dívida externa no quadro dos Países Pobres Altamente Endividados (HIPIC). É que para aqueles, STP é um grande candidato a país rico. Ora, um especialista americano que recentemente esteve no país, afirmou que um efectivo retorno do investimento na exploração do ouro negro, só aconteceria dentro de 10 anos. Daí que fique a pergunta, como é possível que a dívida santomense já não possa ser renegociada ao abrigo do HIPIC? Com o FMI tudo é possível e natural, que o digam Portugal e Angola. 4 Já após ter concluído este artigo fomos literalmente bombardeados com a possível detenção de Saddam Hussein. Será um episódio tanto histórico como exemplar se – há sempre um se – de facto foi Saddam o detido e não um dos seus sósias. É que a história da detenção... Ora vejamos: i) de acordo com alguns media, citando o porta-voz norte-americano no Iraque, foram curdos quem o descobriu e o entregaram às forças da coligação (nunca se referem às tropas norte-americanas, o que já é interessante); ii) ora os curdos não morrem de amores por Saddam, estranhando-se que o tenham entregue aparentemente incólume, embora cansado; iii) estranho, ainda, que o mesmo se tenha entregue sem resistência, armado e com de milhares de dólares; iv) que a detenção, tenha ocorrido numa altura em que Bush está com os menores índices de popularidade e que Halliburton, a empresa que já foi liderada pelo vice-presidente Dick Cheney e que tem acessoria de tudo o que se relacione com o Iraque, esteja a ser investigada por fraudes fiscais e sobrevalorização em serviços prestados ao Pentágono. Mais parece um filme com o do resgate da soldado Jessica Linch, mais tarde provado ter sido forjado pela inteligência norte-americanos. Ou como dizia o Prof. M. R. de Sousa, num comentário na TVI, para Bush, a detenção de Saddam, mais do que uma prenda, foi um “peruão”. ©(Publicado no Jornal Lusófono, ed. 43, de 19.Dez.2003) |
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