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4 de Janeiro de 2009
 
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2004 - A cooperação portuguesa em Angola | Imprimir |
A Cooperação Portuguesa em Angola
por: Eugénio Costa Almeida©

     Conforme referido numa última edição do JL, vamos abordar este tema tendo como base as críticas de Almeida Santos, em Luanda, e de Jorge Sampaio, em Argélia, sobre a cooperação portuguesa nas suas ex-colónias.
     Verifica-se que a Cooperação portuguesa, se de cooperação se pode falar, não passa, em regra, de boas palavras de intenção, de apoios em sectores muito especializados (banca, audiovisuais, petróleo) e pouco mais. Na recente visita a Angola, Durão Barroso levou uma grande comitiva com ele, entre empresários e potenciais empregadores. Até ao momento, o que da visita expirou foi somente o fracasso da renegociação da velhinha dívida de Angola a Portugal, entre pública e privada; várias vezes renegociada, reescalonada mas nunca devidamente clarificado e definido o seu efectivo pagamento ou perdão.
     Realmente, que empresas portuguesas, autónomas ou em ‘joint-venture’, vemos operar em Angola?

  • a)      A banca, com os grupos BPI (Banco de Fomento de Angola) e Espírito Santo (Banco Espírito Santo de Angola), onde mostram estar com Angola por via dos avultados investimentos aí operados. O Totta também parece apostar no sector (só que é um Grupo hispânico baseado em Portugal). Paradoxalmente, o maior grupo bancário privado português, BCP (que já teve uma posição de destaque no país, com os extintos Atlântico e SottoMayor), é o único que parece se manter fora dessa corrida. A prova parece ser que, de acordo com especialistas angolanos que por cá passam e que me transmitem essas suas preocupações, parte das suas operações bancárias são efectuadas não nos escritórios de Luanda, mas em Lisboa. Ora segundo o presidente do BCP, numa antiga entrevista, o Grupo não está em Angola porque nunca conseguiu contactar com um parceiro/empresário credível angolano para operar no país. Já agora, quem, ou donde, são os empresários credíveis com quem operam em Moçambique? Nesse sentido, em Angola existe uma entidade tão credível como as dos moçambicanos, a FESA;
  • b)      Petróleo e gás natural, através da Galp; todavia já houve quem que questionasse da qualidade desta empresa para concorrer, naturalmente, aos blocos petrolíferos nacionais, sinal de que Portugal e a sua empresa petrolífera nada têm feito para se mostrar devidamente em Angola. Só que é verdade que as suas inúmeras participações acontece(ra)m na linha dos divertidos programas de reescalonamento da dívida angolana a Portugal e sempre em parceria com outras empresas e com participações mínimas. Também é um facto que só os grandes tubarões anglo-franco-americanos, como a Chevron/Texaco, a BP, a Total ou a Exxon/Mobil, é que são devidamente conhecidos em Angola. Até a italiana Agip é mais conhecida em Angola que a Galp. E porque será? Não é o petróleo e o gás natural produtos considerados estratégicos em qualquer país? A razão deve-se prender com o facto da petrolífera portuguesa ser dominada por uma empresa estrangeira, também com interesses em Angola;
  • c)      Nos sectores audiovisual e multimédia, através de programas de intercâmbio entre a RTP-África e a TPA e entre RDP-África e a RN, no primeiro caso, e da Portugal Telecom no da multimédia (Multitel) e nas telecomunicações (Unitel e a ELTA).
     Só que a cooperação luso-angolana não se pode ficar por estes sectores, se bem que importantes e estratégicos. As potencialidades de Angola, tanto no ponto de vista económico como, principalmente, no do humano, devem ser melhor aproveitadas. Não há dúvidas que os investidores portugueses desejam participar nos programas de investimento em Angola compartilhando ‘know how’ ou os seus “pequenos capitais?”. Será que a Portugal falta capacidade, para sozinho, os apoiar?
     Nesse aspecto, se não quer, ou pode, aproveitar a emergente potencialidade que os parceiros angolanos parecem dispor, então o Brasil seria o melhor parceiro para Portugal. Falam a mesma língua (excepto quando os brasileiros legendam os filmes e comentários televisivos portugueses), os mesmos conhecimentos da realidade angolana, para além dos brasileiros estarem melhor engajados na economia angolana. Segundo o Jornal de Angola-online, de 10Dez. p.p., há 50 grandes empresas brasileiras a operarem, em diferentes sectores económicos angolanos; no petróleo, nos diamantes, na construção, agro-pecuária, indústria, ensino, saúde, ou ainda nos transportes; alguns dos sectores em que os brasileiros poderiam ser aproveitados como pontes de entrada em Angola.
     Assim os investidores portugueses saibam aproveitar.

©(Publicado no Jornal Lusófono, edição nº. 44, de 09.Jan.2004)

 
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