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9 de Fevereiro de 2018
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2018 - Os 35 anos das relações sino-angolanas PDF  | Imprimir |  E-mail

Os 35 anos das relações sino-angolanas
© Eugénio Costa Almeida


Estão a decorrer os 35 anos a relações sino-angolanas que têm pautado, essencialmente, mais pelo predomínio das relações económicas e financeiras, que políticas.

E isso foi visível num recente artigo de opinião, no Jornal de Angola, do embaixador chinês, em Angola, senhor Cui Aimin,, quando relevou os empréstimos que a República Popular da Chin já fez a Angola, principalmente depois de 2002, com o fim da guerra-civil entre com a UNITA e que ,ascendem a cerca de 60 mil milhões (ou biliões na versão norte-americana) de US Dólares (ou cerca de 50 mil milhões de €uros).

Sabendo-se que estes empréstimos estão caucionados pelos fornecimentos de petróleo e que este está a preços pouco satisfatórios para que o País possa cumprir na resolução desta dívida a curto-médio prazo, ó podemos inferir que os chineses não foram nada simpáticos nesse contrato leonino que fizeram connosco. Erro nosso na percepção de custos do crude, uma providencial visão capitalista chinesa? A dívida está cá e é colocada em causa pelos economistas.

O certo é que da visita que a visita do ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, a Luanda ocorrida entre 13 e 14 de Janeiro passado, esperava-se que, a mesma, tivesse trazido melhores condições de cumprimento ou reformulação da dívida, como Aimin sublinha, do “segundo maior parceiro comercial, o maior fornecedor dos petróleos da China em África, um dos maiores mercados ultramarinos de obras empreitadas".

Nada transpirou que isso o indique, excepto, talvez a assinatura de um acordo para facilitação de vistos em passaportes ordinários ou a continuidade do financiamentos chineses a Angola, como atestou o nosso  Ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, ainda que este tenha sublinhado que teria sido decidido que equipas técnicas do dois países iriam “trabalhar no âmbito da preparação da segunda sessão da comissão orientadora de cooperação económica e comercial” entre os dois países; ou seja, fortalecer o mecanismo que coordena e supervisiona a cooperação económica bilateral, com todos os aspectos/critérios económico-diplomáticos que isso possa envolver.

E se considerarmos que aqueles financiamentos tiveram como contra-partidas– outra das condições leoninas que Angola teve de aceitar – que as empresas chinesas, assim como funcionários e materiais de construção eram de proveniência chinesa ou, em alternativa, se as matérias-primas fossem angolanas, estas seriam produzidas pelas empresas chinesas como e nas condições que as mesmas impusessem.

Foram-nas nas áreas das infraestruturas nacionais; estradas e obras de arte (vulgo pontes e viadutos), vias férreas, vias aeroportuárias, infraestruturas hospitalares, escolares e governativas, foram, na sua maioria – para não dizer, quase totalidade – construídas por empresas chinesas ou sob coordenação e supervisão chinesa. Também os estádios que foram construídos para o CAN2010 foram, em grane parte, de concepção e construção chinesa.

Naturalmente que muitas desta situações não foram – e continuam a não ser – bem vistas por muitos angolanos, nomeadamente, na persistência que as empresas chinesas mantêm em deixarem funcionários chineses para trás; ou seja, manterem os seus antigos funcionários em território nacional sem que, não muitas vezes, haja alguma justificação para isso.

Haverá alguma alternativa mais interessante, dado que, como constatamos, muitas das obras chinesas estão em clara deterioração ou em péssima conservação; algumas das quais exigem quase uma nova obra? E quem pagará? Nós, de novo? Esperamos que haja uma garantia e que as obras sejam feitas por quem as efectuou antes, sem custos para o erário público angolano e com claro, efectivo e forte controlo das nossas autoridades.

O problema é, se haverá coragem política para isso!

Penso que tudo irá depender como o Governo do Presidente João Lourenço, assentando no “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”, e na vontade de “construir um futuro melhor para Angola e os angolanos”. se posicionará nas relações com a China.

Mudar agulhas para outras actividades económicas, como agricultura, indústria de construção metalo-mecânica (montagem ou produção de viaturas, motorizadas, electrodomésticos, etc.) ou pescas? São hipóteses que se podem colocar desde que, no caso da agricultura não haja invasão indisciplinada de terrenos de agricultores nacionais, ou, nas pescas não se verifiquem casos ilícitos como os da pesca ilegal de tartarugas.

Veremos o que irá dar um eventual e possível encontro, em Davos, entre João Lourenço e Xi Jinping. Seria interessante que isso viesse a acontecer.

 ©Artigo de Opinião publicado no semanário angolano Novo Jornal, ed. 519 de 2-Fevereiro-2018, página 17

 
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