| 2007 - Alemanha na liderança | | Imprimir | |
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Alemanha na liderança por: Eugénio Costa Almeida©
Depois de ter mandado às malvas os chineses recebendo o líder religioso Dalai Lama, a nova dama-de-ferro da Europa, a senhora Angela Merkel, chanceler alemã, afirmou que vai estar presente na Cimeira “União Europeia-África” que se realiza em Lisboa, entre 2 e 9 de Dezembro próximos, mesmo que Mugabe decida participar de pleno direito e como lhe compete enquanto presidente de um Estado africano – ainda por cima membro da União Africana, ao contrário, por exemplo de Marrocos –, votado legitimamente ou não nas urnas. Pelos vistos a chanceler alemã, ao contrário do seu homólogo britânico Gordon Brown, não teme que a presença de Mugabe desvie a atenção dos problemas cadentes por que passa o Continente Africano. Se Mugabe desvia atenções que dizer de outros autocratas, claramente mais ricos e corruptos que ele e a sua pandilha? Se Mugabe é o mau da fita africano, como se explica que seja considerado o “pai ou o kota” de alguns zimbabueanos como querem fazer crer os líderes militares – leiam-se líderes militarizados da guerrilha – que ameaçam um “Coup d’État” caso Mugabe seja “deslocado” do poder. Não se viu isso ainda em nenhum dos outros Estados africanos cuja autocracia é tão ou mais evidente e onde o dinheiro jorra a rodos e despudoradamente… Se Mugabe é um déspota ditador que, segundo certas fontes – principalmente as britânicas – poderá aproveitar a ida a Lisboa para usufruir livremente dos eventuais fundos com que ele e a sua pandilha já se locupletaram em detrimento do povo zimbabueano então onde estão os outros? E não são poucos assim… A chanceler alemã mostra que o pragmatismo económico e político alemão está, de novo, em efervescência. Vai fazer um périplo por África e reunir-se com alguns líderes africanos com quem debaterá a questão Zimbabué e o apoio africano às reformas onusianas e à possível entrada da Alemanha como membro permanente no futuro alterado Conselho de Segurança das Nações Unidas. Mas também vai ver se o aprovado e aconselhado na última reunião do G8, em Heilingendamm, como sendo as acções em matéria de saúde, educação, promoção da democracia e da boa governação, para além de cooperação técnica, desenvolvimento e ambiente, está a ser aplicado e de que forma. Quanto a isto será melhor ir acompanhada de um potente microscópio… ou deverá pedir emprestado o telescópio Hubble?
©Publicado no jornal moçambicano O Observador, edição nº 073, de 8 de Outubro de 2007 (edição em PDF por assinatura)
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