| 2007 - Que venham mais 100 Obs | | Imprimir | |
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Que venham mais 100 Obs por: Eugénio Costa Almeida©
Desde que o Homem aprendeu a se conhecer que houveram factos que o caracterizaram. À partida, e desde logo, a capacidade de se tornar interlocutor e comunicar entre si. Mas outros, não menos importantes, igualmente acontecerem. Um, e talvez dos primeiros, terá sido o descobrimento do efeito do fogo que tanto o protegia do frio como lhe permitia melhor saborear a comida. O outro poderá ter sido o descobrimento da roda que lhe permitia mover objectos volumosos e pesados entre dois ou mais pontos e fazer trocas entre si. Um outro, e este talvez derivado do anterior, foi ter conseguido ser comerciante e por via disso inventar um sistema interessante. Hoje em dia ser comerciante exige alguns determinados requisitos como, por exemplo, falar, escrever e apontar. Ora o comerciante dos primórdios do Homem já se comunicava mas não necessitava de escrever. Isso só iria ser necessário descobrir largos anos depois quando alguns decidiram que a transmissão oral da História cansava e tolhia a sua capacidade para outros fins, como a caça, a guerra ou o divertimento – cada um diverte-se como sabe. Pois o que o Homem descobriu foi o número!Com os números ele sabia como fazer trocas; como dizer quanta caça ou pesca teria apanhado; quantos membros constituíam a sua família e o seu povo; quanto seria necessário para comprar ou vender alguma da sua mercadoria. E foi por causa do número que a vida humana passou a não ser mais o mesmo. Que o digam as crianças, nas escolas, quando se fala em matemática ou em cálculos. Mas os números, ou a sua utilização, também se tornaram míticos.Quantos anos temos; quantos filhos criamos; quantas vezes nos casámos ou… casamos; quantas vezes fizemos alguma coisa; quantos livros escrevemos; ou, na escola, quantos anos fizemos ou se já chegámos ao sumário 50 ou 100; quantos exemplares se edita de um jornal; etc., etc., etc. É o quantos… quantos… quantos. Ou seja, embora não o reconheçamos e façamos gala em afirmar que a nossa vida é qualificada pelo que fazemos ou exercemos, na prática, ela passou a estar quantificada.Por isso não é de estranhar que também as obras se rejam pelos números. E O Observador, um diário que um carola como o Jorge Eurico consegue manter junto de nós, também está sujeito à quantificação. Seja ela quantos leitores tem, seja quantos anunciantes consegue arregimentar, seja quantas edições já editou. E é isso que me traz aqui. A celebração do mítico número 100 que o “O Observador” consegue, contra ventos, marés, calemas, veladas ameaças e outras subjectividades, chegar nesta edição. Ao Jorge Eurico e a todos os que com ele colaboram, directa ou indirectamente, e a aos que tornaram O Observador numa já referência da comunicação social moçambicana os meus parabéns e que venham mais 100. ©Publicado no jornal moçambicano O Observador, edição nº 100, de 14 de Novembro de 2007 sob o sub-título “Entre o peixe e a pesca, entre o sonho e a realidade” (edição em PDF por assinatura) |
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