| 2007 - Castigo de Deus, ou a vingança... | | Imprimir | |
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Castigo de Deus ou a vingança do fantasma de Carlos Cardoso por: Eugénio Costa Almeida© Nyimpine jamais poderá provar a sua inocência no execrável acto de cobardia que foi o assassinato de CC Há cerca de 7 anos uma figura incómoda por aquilo que dizia e escrevia foi barbaramente silenciada. Sete anos depois ainda perduram dúvidas quanto aos reais motivos por que Carlos Cardoso foi assassinado e quem, realmente, esteve por detrás do terrível e inaudito acontecimento. Nestes sete anos, onde o jornalismo moçambicano floresceu, aconteceram diversos acontecimentos. Entre eles o julgamento dos supostos assassinos – pelo menos foi provado em tribunal os actos perpetrados – mas nunca o que, realmente, esteve por detrás do acto. Relembremos que durante o julgamento os confessos assassinos – pagantes e executores – terão afirmado que o mandante efectivo teria sido uma personalidade próxima do poder, embora desde sempre se tenha pautado pró estar fora do mundo da política e dos holofotes do mundanismo mas reconhecido por maus-fígados no que toca a relações com a comunicação social a quem, não poças vezes, terá acusado de fazer mal a si e á sua família. Segundo os arguidos o tal mandante terá pago cerca de um milhão de meticais para que o arguido “pagante” Momed Abdul Satar «Nini» entregasse ao principal suspeito do assassínio, o “executor” Aníbal dos Santos Júnior «Anibalzinho» para a realização do acto. Quando perfazem quase sete anos do assassinato de Carlos Cardoso, o sempre referenciado mandante que também sempre se escusou, com clareza, rejeitar a autoria intelectual do acto, morre vítima de ataque cardíaco na República da África do Sul. Não se conhecendo problemas anteriores poder-se-á afirmar que sete anos depois o fantasma de Carlos Cardoso se vingou?Quem conheceu Carlos Cardoso duvidará desta suposta vingança.Como escreveu aqui nestas páginas Maria de Lurdes Torcato, Carlos Cardoso foi um soldado feroz na defesa da Liberdade e no combate á corrupção. As suas armas, as suas únicas armas, eram a fácil retórica e a pena com que escrevia os seus artigos, nomeadamente, no Metical. Por isso, não acredito na vingança de Carlos Cardoso. Mas, por certo, que a probidade de Nympide Chissano – aproveito para apresentar as minhas condolências à família enlutada e, em particular, ao presidente Joaquim Chissano – não ficará imaculada. Da dúvida, a que, segundo certas fontes, a presidência não estará imune pela não eventual permissão do seu julgamento, não se livrará. Entretanto, o jornalismo moçambicano – e porque não dizê-lo, africano – continua a relembrar aquele que se tornou no precursor do livre jornalismo moçambicano e um farol para o jornalismo que defende a liberdade e ataque ferozmente a corrupção, Carlos Cardoso. Pode ser que agora possa descansar em paz… Mas, infelizmente, o eventual denunciado “mandante intelectual” nunca poderá fazer prova da sua inocência no execrável acto de cobardia que foi o assassinato de Carlos Cardoso. ©Publicado no jornal moçambicano O Observador, edição nº 105, de 21 de Novembro de 2007 (edição em PDF por assinatura) |
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