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2007 - Que trará a Cimeira UE-África? | Imprimir |
Que trará a Cimeira UE-África?
por: Eugénio Costa Almeida©

 

Aproxima-se a já demasiada celebrada e cada vez mais descredibilizada a II reunião magna entre a União Europeia e os líderes africanos.

Uma reunião que começou por pecar pelo assinalável atraso de vários anos devido às mesmas razões que a actual ainda está em dúvida se se irá realizar: a presença de Mugabe na Cimeira.

Depois porque a Europa não se entende quanto ao conteúdo e forma como se irá realizar a dita Cimeira.

Para uns, os Direitos Humanos e o fim das ditaduras e autocracias no velho-novo Continente deve acabar sob pena de se continuar a ver o povo africano em completa e irreversível degradação política, económica e social.

Entre os defensores desta política de choque está o Reino Unido que já agrupou, ou parece estar em vias de o fazer, países reconhecidos pelos elevados Direitos sociais, como são os Escandinavos e os holandeses.

Outros preferem que se centralize a Cimeira em questões como imigração e a política de desenvolvimento esquecendo-se de tudo o resto que possa provocar entraves no “sínodo”.

São defensores desta via os líderes da Alemanha, a senhora Angela Merkel, e Nicolas Sarkozy, presidente da França.

Portugal, o país organizador, prefere continuar a sua política de “não me comprometam” ou como há tempos aqui escrevi, continua a manter a velha política salazarista de “neutralidade colaborante”. Ou seja, apesar do responsável português da pasta dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, afirmar e reconhecer que o continente africano comporta vários “países e regiões problemáticas, onde se verificam situações muito críticas, designadamente de violações dos Direitos Humanos e das regras democráticas” estes factos não podem ser impeditivos “do diálogo e do desenvolvimento das relações estratégicas de longo prazo entre a UE e o continente”.

Se isto é o que congeminam os eurocratas o que pensam, realmente, os outros parceiros da Cimeira, os Africanos?

Exceptuando casos pontuais de claro apoio a Robert Mugabe, como os de Angola e da maioria dos países da antiga “Linha da Frente”, ou os de STP e de Cabo Verde que relembram que divergências pessoais e bilaterais – e, na realidade, o que aqui está em causa são divergências pessoais entre Mugabe e certos sectores britânicos e muito bem exploradas por estes – não podem impedir as relações entre os dois continentes, sob pena de ambos perderem.

Na última reunião entre a presidência rotativa da União Europeia e a União Africana ficou consagrado – será que sim? – em Accra o que se deveria tratar na referida Cimeira.

Na reunião entre a troika da União Europeia (é constituída pelo anterior, pelo actual e próximo presidente da UE) e a União Africana foi aprovado documento, que deverá ser apresentado na Cimeira de 8 e 9 de Dezembro próximos, e que preconiza uma “Parceria Estratégica para, em conjunto, fazerem face «aos desafios dos século XXI»”.

O citado documento assentará em quatro importantes eixos: Paz e segurança; Boa governação e direitos humanos; Comércio e integração regional; e Desenvolvimento.

Ou seja, um pouco dos que os britânicos querem (Boa governação e direitos humanos) e os franco-germânicos agora pedem (Desenvolvimento).

Mas, e o que é que, realmente, os africanos desejam?Até agora pouco ou nada o disseram. Limitam-se a reafirmar a solidariedade africana: ou Mugabe vai ou nós não nos apresentamos.

Mas será isso o que os africanos desejam? Penso que não!

Desejamos muito mais: mais Educação, mais Formação, mais Igualdade no Comércio e menos subserviência nas trocas comerciais, melhores e mais competitivas Indústrias, uma agricultura concorrencial e não dependente da vontade da PAC eurocrata. E se a isto pudermos juntar uma boa e transparente governação, mais respeito dos direitos humanos, a consolidação da Paz e da segurança interna e externa, então estaremos no bom caminho para o Desenvolvimento do nosso velho-novo Continente.

Mas um Desenvolvimento que não se submeta exclusivamente aos ditames da União Europeia.

13-Nov-2007

©Publicado no semanário santomense Correio da Semana, ed. nº. 141, de 24-Novembro-2007, (http://www.correiodasemana.info/spip.php?rubrique10)

 

 
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