| 2007 - «Ela já é mesmo nossa!» | | Imprimir | |
|
Ela já é mesmo nossa! por: Eugénio Costa Almeida©
Foi assim em Songo que Guebuza lembrou aos moçambicanos que a gestão da Barragem de Cahora Bassa passou, maioritariamente – 85% do capital social –, para as mãos de Moçambique (os restantes 15% continuarão nas mãos de Portugal, até ver; perante a falta de visão estratégica portuguesa e a necessidade mercantilista de diminuir a qualquer preço o seu défice não surpreenderia que Portugal vendesse essa parte a quem lhe der alguns Euros…). Foi assim que Guebuza afirmou que Moçambique estava a sair, pela segunda vez, do jugo estrangeiro no País. Guebuza quer para si um louro que pertence, por inteiro, a Joaquim Chissano. A passagem da gestão de Cahora Bassa para Moçambique!Mas Guebuza não esclareceu como pensa manter a gestão da Barragem que, como muito bem relembrou Afonso Dhlakama se Moçambique recebeu política e fisicamente a Barragem, contabilisticamente ela continuará em mãos não-nacionais. E Dhlakama esqueceu-se de complementar. É que a verdadeira gestão de Cahora Bassa estará nas mãos dos seus clientes, nomeadamente, da África do Sul e da má-pagadora Zimbabué e é voz corrente nos círculos financeiros moçambicanos que os chineses já se aprontaram para comprar não só parte do capital da Barragem como para procederem à sua gestão. Por outro lado, já é ponto assente que a gestão da Barragem vai, numa primeira fase, ser entregue, conforme já confirmou o Ministro da Energia, Salvador Namburete, aos canadianos, pensando-se que sejam a Manitoba Hydro. E por falar em Zimbabué, registe-se que apesar de se prever a presença de muitas individualidades estrangeiras, com particular destaque para os países vizinhos que recebem ou podem vir a receber a electricidade gerada pela Barragem só o senhor Mugabe esteve visivelmente presente. E com a sua presença – ou pela sua conversa, mais correctamente dito, – ficámos a saber – foi mais rápida a resposta que o pensamento – que o senhor Brown, definitivamente, não vai estar em Lisboa – se os ingleses se interessassem mesmo por África não faziam esta birrinha; o problema deles é a sua cada vez maior falta de capacidade para o diálogo, mesmo que este fosse de surdos. E não vai estar porquê? Porque Mugabe reafirmou que vai estar em Lisboa na Cimeira da UE-África (aproveito para relembrar os Europeus que é uma Cimeira entre a União Europeia e o Continente Africano e não entre a UE e a União Africana como Luís Amado já o afirmou por mais de uma vez e que um eurodeputado também o reafirmou assumindo o desconhecimento – ou esquecimento – de que Marrocos não faz parte da UA) embora o senhor Luís Amada, após ter remetido o convite afirmar que preferia que ele não estivesse em Lisboa (a eterna subserviência lusitana à política governativa dos súbditos de Sua Majestade). 27/Nov/2007 ©Publicado no jornal moçambicano O Observador, edição nº 111, de 29 de Novembro de 2007 sob o sub-título “Politica e fisicamente a HCB é nossa, contabilisticamente ela continuará em maós não-nacionais” (edição em PDF por assinatura) |
| < Anterior | Próximo > |
|---|





