| 2008 - Kabila aprende com Angola? | | Imprimir | |
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Kabila aprende com Angola? por: Eugénio Costa Almeida© Já era altura; mas vale mais tarde que nunca! O presidente da República Democrática do Congo (RDCongo) percebeu, ou teve uma dica do seu vizinho do Sul, o seu natural “guru” apesar de certos problemas fronteiriços e acusações de disfarçada ingerência, que se quer ver os seus assuntos resolvidos deverão serem os autóctones a tratar deles e não esperar que terceiros o façam. Está provado que os apoios externos são, em regra, guarnecidos de eventuais e não pouco significativas vantagens para os doadores e nunca para os próprios interessados, ou seja, para as populações dos Países onde as crises sociais persistem. Desde que o presidente Joseph Kabila tomou o poder, primeiro pela via sucessória, depois pelas eleições, que as ofertas de ajuda para acabar com as sucessivas e contínuas crises internas o têm levado, e ao País – mais a este que ao poder de Kabila – a uma profunda e continuada manutenção dos problemas sociais e políticos, onde a guerra de guerrilha persiste, a economia resvala continuadamente para uma depauperação sem precedentes, e a manutenção de forças externas no País se mantém como, na maioria dos casos, forças ocupantes e não de manutenção de Paz. E o apoio que os capacetes azuis da ONU oferecem nem sempre é o mais desejável como se verificam com as infames acusações de roubos e violações que, não poucas vezes, infelizmente, os acompanham. Por isso, é de saudar a atitude de Kabila e do Governo da RDCongo e dos habitantes do Kivu Norte e Sul de organizarem uma conferência sobre a Paz, Segurança e Desenvolvimento na região. O primeiro passo para uma efectiva Paz na região onde todos poderão discutir na mesma língua e segundo o mesmo padrão cultural. As anteriores manobras a favor da Paz na região mostraram que esta tem servido mais para fortalecer os seus vizinhos e perpetuarem a sua presença naquela rica região congolesa que para uma efectiva pacificação social e política do País. É tempo dos congoleses perceberem que a manutenção da guerra na região só atrasa o desenvolvimento das populações e, por extensão, do próprio País. É tempo dos congoleses perceberem que a manutenção do actual “status quo” só interessa os vizinhos que desejam perpetuar esta situação porque a divisão do meu vizinho fortalece “a mim e o meu poder”. Por isso saúda-se, tal como o fez o Secretário-geral da ONU a vontade dos congoleses e das populações do Kivu em iniciar e manter um diálogo, com o objectivo de enfrentar de forma pacífica os múltiplos desafios que as duas províncias enfrentam. Agora espera-se que os vizinhos da RDCongo aceitem as conversações que se vão iniciar e que deixem de apoiar os beligerantes que agrupam e arregimentam crianças que deveriam estar a estudar a favor do desenvolvimento do País e da pacificação de uma martirizada região do que combater pelos interesses particulares de uns quantos. As conversações começaram e espera-se que seja um passo gigantesco para a RDCongo e importante para os Grandes Lagos. Talvez que a pacificação da região não interesse a três potências emergentes da África Central. Talvez. Mas isso é o que menos deverá interessar aos congoleses e interessar mais aos seus vizinhos. A Paz nas minhas fronteiras e, por extensão, nas terras do meu vizinho ajudam a desenvolver também o meu País. E isso é – ou deveria ser – o que deve nortear as potências da região. Já basta de “inconvenientes” refugiados que não só depauperam as economias dos países receptores – embora muitos os desejem por causa das doações dos “beneméritos” países doadores que esconjuram as suas habituais crises de serôdia humanidade – como podem, naturalmente, ser um pólo explosivo nos mesmos. E se as crises sociais, políticas e militares acabarem, os refugiados poderão regressar e, com eles, as fracturantes crises sociais e culturais. Vamos desejar que o Ano de 2008 comece com a Paz no Congo. A região agradece e África aplaude! Nota complementar: A todos os leitores e colaboradores do Correio da Semana e a todos os santomenses votos de Bom Ano de 2008 e que os lucros do petróleo seja o alicerce que os santomenses precisam para o seu desenvolvimento. 25-Dez-2007 ©Publicado no semanário santomense Correio da Semana, ed. nº. 149, de 26-Janeiro-2008, (http://www.correiodasemana.info/spip.php?article275) |
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