Bob Geldof abriu o livro... esperemos que não seja tarde! por: Eugénio Costa Almeida©
O activista irlandês reconhecido mundialmente desde o “Live Aid”, de 1984, e “Live 8”, de 2005, por causa da fome em África, em geral, e na Etiópia, em particular, onde milhões pereciam (E AINDA MORREM!) por falta de alimentos esteve hoje em Lisboa onde proferiu algumas palavras num colóquio "Desenvolvimento Sustentável - Fazer a Diferença", que pelo seu conteúdo e oportunidade, e apesar de alguma hipocrisia com que, ultimamente, se tem pautado as suas actuações e actividades, não devem passar em claro.
Sobre a fome – ainda e sempre devido à pobreza e má-gestão –, Geldof alerta para um assunto que também eu abordo num artigo a publicar brevemente no Correio da Semana, de São Tomé e Príncipe. As guerras deste século serão devidas e travadas pelos recursos alimentares, a que completaria com, igualmente, os recursos hídricos.
Geldof, criticando o exemplo da Europa, onde, como ele afirma “pagamos impostos para produzir, pagamos impostos para armazenar e pagamos impostos vergonhosos, imorais, abjectos para destruir comida em excesso” deveria evitar que, 25 anos depois o activista tivesse, de novo, de gritar algo que não pensava ter de o fazer agora“ ´Feed the World` (Alimentem o Mundo) ”.
Já quando questionado sobre Angola, Geldof atirou uma frase dura para o regime e para os governantes nacionais, forçando, inclusive, ao abandono da sala do embaixador Assunção dos Anjos. Geldof, sobre o Desenvolvimento económico do País, atirou que "Angola é gerida por criminosos". Tão simples, quanto demasiado – talvez um pouco, porque não deve conhecer a realidade no seu todo – directo.
Geldof, como já tinha aberto o livro, ainda atirou com uma deliciosa e condimentada pérola que deveria ser bem deglutida pelos nossos Governantes neo-ricos e megalómanos "As casas mais ricas do mundo do mundo estão [a ser construídas] na baía de Luanda, são mais caras do que em Chelsea e Park Lane", fazendo uma comparação estes dois bairros luxuosos da capital londrina.
Costuma-se a dizer que é pela boca de certos indivíduos que por vezes saem as verdades mais inconvenientes.
Daí que não surpreenda – talvez só pelo facto de ser tardio – que a oposição angolana, nomeadamente Samakuva, pense e deseje que as próximas eleições legislativas – já passaram da data prevista para uma data no papel? – devam "simbolizar o fim da exclusão social, da hegemonia e do absolutismo, do poder ilimitado e indivisível e da era do partido/Estado".
Vamos aguardar os próximos desenvolvimentos sem esquecer uma outra frase importante, por demais verdadeira, de Bob Geldof: Tanto Portugal, como Espanha ou a Itália "serão os primeiros [países europeus] a sofrer o impacto de qualquer problema em África".
Ele não se esquece, ao contrário de alguns analistas e, principalmente, políticos e governantes que África, a África subdesenvolvida, está somente a pouco mais de 12 quilómetros da Europa, dita e reconhecida como a “Rica Fortaleza Europeia” e que são muitos os que, diariamente, contra tudo e marés tentam fazer a ligação entre os dois Continentes.
6/Maio/2008 ©Publicado no Notícias Lusófonas, na rubrica "Colunistas" em 6.Maio.2008, (http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=21009&catogory=ECAlmeida) |