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15 de Agosto de 2008
 
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2008 - Seis anos depois Timor-Leste ainda é viável? | Imprimir |
6 anos depois Timor-Leste ainda é viável?
por: Eugénio Costa Almeida©

Penso e continua a acreditar que sim! Países existem com menores capacidades de sobrevivência e mantém-se, uns, ou sobrevivem, outros, sem que a Comunidade Internacional pense ou questione da sua existência.

Como Estado novo que ainda é, Timor-Leste, peca pelo facto de ter nascido de parto prematuro – a velha mania anglófona de “não se entendem que se separem logo” – logo após o referendo e sem que lhe dessem uma oportunidade real e efectiva de se preparar para ser um Estado e uma Nação.

Os interesses dos vizinhos e de certos “amigos” cantou mais alto; e tudo em nome e sob o nome da ONU.

Numa Universidade portuguesa está a ser preparada – ou está mesmo concluída – uma Tese de Mestrado sobre as Alfândegas timorenses que mostra como os interesses desses vizinhos e “amigos” foram mais fortes que a vontade de deixar nascer e crescer naturalmente o novo País.

Vamos aguardar porque vai ser interessante.

Enquanto isso, a Nação timorense sente os ciclos de crescimento que os Estados novos também, e em regra, sentem: crises sociais, políticas, militares e uma necessidade de afirmação no contexto das Nações.

Aliado a isto tudo o facto de alguns dos seus dirigentes não se entenderem quanto à língua que se deve falar no País.

Todas, ou quase todas as antigas colónias lusas, tinham as suas línguas nacionais. E essas devem ser preservadas.

Mas todas também ganharam o direito a ter a sua língua de união, ou língua oficial.
E é aqui que, naturalmente, os dirigentes deveriam, ou poderiam, divergir.

Se uns defendem, naturalmente, que a língua nacional deve ser – e é – o tétum, também há quem defenda que Timor-leste não tem uma língua nacional mas várias línguas nacionais e que é defendida conforme as cores políticas de quem os suporta, esquecendo-se do maior interessado: o Povo Timorense.

Enquanto isso, vão vendo presidentes e dirigentes nacionais a falarem bahasa no Parlamento; inglês nas Conferências de imprensa, mesmo que sejam internas; português nas escolas mas sempre segundo os interesses etimológicos brasileiros ou lusitanos; com o povo a preferir, e cada vez mais na linha do que vê, por exemplo, em Cabo Verde com o crioulo, falar só o tétum.

Naturalmente que a CPLP e o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), por acaso sedeado em Cabo Verde, manterão a defesa do incremento da língua portuguesa, em Timor-Leste, ou como têm naturalmente feito nos outros Estados lusófonos: propalando Conferências, palestras, exposições, danças, etc., mas esquecendo o principal: propagandear a língua!

Enquanto isso, Timor-Leste vai sobrevivendo esperando que os fluxos do seu – SEU! – petróleo, que residualmente a Austrália lhe concede, entre, um dia, nos cofres para ser ainda mais viável!

20/Maio/2008

©Publicado no Notícias Lusófonas, na rubrica "Colunistas" em 20.Maio.2008, (http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=21096&catogory=ECAlmeida)


 

 
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