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15 de Agosto de 2008
 
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2008 - Desorganização... ou incapacidade para ganhar? | Imprimir |
Desorganização, incompetência, má-vontade, ou incapacidade para ganhar?
por: Eugénio Costa Almeida©

Há coisas que definem um staff organizativo de uma qualquer organização, empresa ou eventos. Quando tudo corre bem, por norma pouco transpira senão o que se quer que saia para o exterior. Mas quando as coisas começam a derrapar tudo aparece e como o azeite vem tudo ao de cima.

Há tempos aqueles que pugnam pela verdade e pela verticalidade questionaram as palavras de um Ministro angolano sobre a existência de eventuais paióis pertencentes à UNITA eventualmente espalhados pelo sagrado território angolano.

Se houve pessoas que afirmaram que estas palavras do Ministro demonstravam má-vontade e uma clara atitude de denegrir a imagem da UNITA dado que o Governo e as FAA’s desde o fim da guerra que sabiam da sua localização e se ainda não tinham destruídos seria por manifesta incompetência e desorganização, outros próximos da Direcção afirmavam que os paióis estavam destruídos e que este cíclico anúncio da existência de armas ou de militares escondidos mais não mostrava que uma falta de maturidade democrática por parte das autoridades governamentais (ACJ dixit).

Já por parte da Direcção da UNITA houve algumas oficiosas, discretas e polidas críticas, bem naturais, porque estavam a ser colocados sob o duvidoso epíteto de “fazedores de guerras” porque seria para isso que os tais paióis serviriam e de não estarem preparados para acolher os resultados das eleições.

E sobre estas, um parêntese para se registar que, segundo parece, o Presidente Eduardo dos Santos vai convocá-las na próxima terça-feira (terá que o fazê-lo para possa ser cumprido as normas legais previstas pela Constituição).

Agora é a própria UNITA que afirma que a eventual descoberta de paióis no Bié é uma manobra eleitoralista do poder real para desestabilizar a Oposição, leia-se a UNITA, e obter ganhos eleitoralistas.

Mas esqueceram-se de perguntar ao poder real onde estão as armas que distribuíram por certos civis quando foram desmanteladas as FAPLAS – a face armada do MPLA – e as que têm sido devolvidas ainda são manifestamente poucas. Incongruências ou polido esquecimento?

Mas não é só de paióis que o verdadeiro poder se aproveita para denegrir e encrespar a Oposição.

Recusa-se, através dos seus representantes locais e governativos a receber o líder quando este visita os Governos provinciais não só como líder da Oposição mas, mais grave ainda, como parceiro – pelo menos em teoria – em pé de igualdade do GURN.

Por vezes são aviões que não levantam quando o líder da UNITA pensa fazer uma viagem ao interior do País. Recentemente a comitiva da UNITA que ia visitar a problemática província de Cabinda ficou em terra porque o avião estava lotado e, segundo a companhia, os bilhetes apresentados eram para um voo da manhã e a agência de viagens que fez as reservas enganou-se – ou enganou-os – e disse serem para a tarde.

Incompetência da agência ou má-vontade da empresa transportadora que, segundo consta, é de capitais portugueses mas muito ligado ao poder real como se viu recentemente numa Conferência que patrocinou e que muitos incómodos criou a essa instituição e ao Jornal de Angola.

Ou seja, quanto mais quer demonstrar o contrário, mais a UNITA vem mostrando uma falta de capacidade organizativa e uma não menor incapacidade profissional face à desorganização política dos seus assessores, incompetência de alguns dos seus fazedores de imagem, parecendo que se está nas tintas para os angolanos e não se preocupa com a hipotética manutenção do actual status quo.

Não basta a simpatia e a boa-vontade de alguns líderes da UNITA para ganhar eleições. Há necessidade de carisma e de saber aproveitar todas as oportunidades que nos se deparam, mesmo que sejam fora do Pais.

E há tempos Samakuva não soube aproveitar essa dourada oportunidade.

E no dia em que se cumprem 17 anos que foi assinado o Acordo de Bissece, ainda bem que o Mais Velho já cá não está para assistir a esta desordenação e clara inabilidade organizativa para mostrar que querem – tal como nós o queremos – mudar Angola e dar novos rumos ao povo angolano.

Não esquecer que um dos responsáveis do poder real e muito próximo do “Príncipe” admitiu pela primeira vez, embora discretamente, que estariam preparados para perder as eleições…

31/Maio/2008

©Publicado no Notícias Lusófonas, na rubrica "Colunistas" em 31.Maio.2008, (http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=21154&catogory=ECAlmeida)
 
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