Há 10 anos Bissau acordou a ferro e fogo… por: Eugénio Costa Almeida©
Há 10 anos Bissau acordava a ferro e fogo com os militares da Engenharia e da Brigada Mecanizada, a porem a nu a incompetência governativa dos líderes nacionais.
Tudo tinha começado na véspera com a detenção do brigadeiro e ex-Chfe e de Estado Maior-General das Forças Armadas, brigadeiro Ansumane Mané sob acusação de fraude e tráfico de armas para separatistas de Casamanse.
Esta acusação seria, mais tarde, devolvida ao Governo de João “Nino” Vieira quando Ansumane Mané assumiu a liderança de uma auto-designada Junta Militar para a Consolidação da Democracia, Paz e Justiça, através de uma declaração ao país, lida na Rádio Nacional.
Nessa declaração Ansumane Mané declarava querer derrubar o presidente Nino Vieira e o actual Governo, ao mesmo tempo que exigia, num breve prazo, a efectivação de eleições legislativas procurando, desta forma, reimplantar “uma verdadeira democracia” e entregar “de verdade o poder aos civis e ao povo”.
Nessa altura, países vizinhos decidiram intervir na contenda e apoiar de forma clara e inequívoca, os senegaleses, discreta mas incisiva, os guineenses de Konacri, com o apoio quase declarado dos gendarmes franceses, o presidente “Nino” Vieira levando milhares de civis a fugirem do País.
De facto, os militares, após destronarem e remeterem “Nino” Vieira para o exterior tudo procuraram fazer para devolver o poder aos civis.
Houve eleições. O habitual partido estacionado no poder foi derrotado e a população Bissau-guineense esperou, em vão, infelizmente, que os destinos do Pais entrassem, de vez, no bom caminho do desenvolvimento, da prosperidade e, acima de tudo, da Paz.
Uma espera em vão, como demonstrarão os anos seguintes.
Novas crise sociais e militares, Governos em contínuo apuro, sem consistência e bases sólidas, persistem ininterruptamente, para gáudio dos vizinhos e penúria dos cidadãos nacionais.
Há um ditado, não sei se português ou mundial, que diz que não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe
Todavia, os Bissau-guineenses parecem querer desmentir este adágio popular através seja pelas cambalhotas políticas que vão dando, ora colocando no poder um hipotético filósofo ora voltando a dar o poder a um claro autocrata que viveu em Portugal com todas as mordomias que não se admitem a ditadores, mas que parecem ter sempre direito a elas como demonstram outros claros exemplos de autocratas e corruptos dirigentes africanos entretanto caídos em desgraça quer nos seus países quer a nível da Comunidade Internacional.
Ora deixando que pessoas corruptas e sem escrúpulos se permitam utilizar o Pais como plataformas de narcotráfico como já foram, por diversas vezes, denunciados pela ONU e outras organizações supranacionais que, mal ou bem, vão mantendo o estilo de vida dos Bissau-guineenses.
E por isso, não se surpreende que, periodicamente, essas entidades se esqueçam de mandar os fundos que o Pais precisa para pagar vencimentos a funcionários públicos e outras mordomias de que alguns políticos tanto carecem para mostrar as suas belas mansões e não menores e reluzentes viaturas.
Foi há 10 anos, será que ainda há quem se recorde do motivo que subjazeu a vontade dos militares?
Nessa altura um grupo de militares quis, segundo eles, dar ao País “uma verdadeira democracia” e entregar “de verdade o poder aos civis e ao povo”.
Dez anos depois o que sobra dessa vontade e desse altruísmo?
Responda, com clareza e probidade quem souber!
7/Jun/2008 ©Publicado no Notícias Lusófonas, na rubrica "Colunistas" em 7.Junho.2008, (http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=21170&catogory=ECAlmeida) |