A UNITA vai coligada, porquê e como? por: Eugénio Costa Almeida©
Segundo o secretário para a comunicação e marketing da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, em notícias veiculada por diferentes órgãos de comunicação social e reproduzida no seu portal informativo, a UNITA vai coligada às eleições legislativas com outros partidos e independentes.
É um direito que assiste à direcção da UNITA, democraticamente eleita no último Congresso, proceder nesse sentido, nomeadamente, chamar independentes que tenham mostrado, nos diferentes sectores onde trabalham ou exercem, qualidades para isso e se revejam nos ideais da UNITA.
Agora o que não sei, é se no referido Congresso isso foi abordado e autorizado, principalmente, a coligação com outros partidos e como as listas coligadas vão aparecer aos eleitores. Os órgãos oficiais angolanos só deixam passar o que o “dono” autoriza...
Será que o Galo Negro estará bem visível ou, naturalmente, os partidos coligados irão exigir a exibição, também, do seu símbolo na Coligação?
E será que a direcção da UNITA ponderou bem nas consequências deste acto?
Acha a direcção da UNITA que isso não possa aparecer aos olhos dos eleitores como uma manobra de encobrimento e dúvida quanto às suas capacidades eleitorais?
Alguém ouviu o MPLA dizer que ia coligado?
Que eu saiba a única coisa que ouvi aos dirigentes do principal partido do poder – mas reconheço que os órgãos oficiosos do MPLA, oficialmente órgãos oficiais do Governo da República – foi que aceitava a presença de terceiros nas suas listas. Ou seja, claramente, o MPLA apareceria como… MPLA!
Nas declarações de Costa Júnior já isso não é tão claro.
Recordo que, até há poucos anos, num país lusófono havia um partido que aparecia sempre coligado a uma terceira força, segundo parece por ele próprio criado, e sob uma sigla que nada tinha a ver com a sua sigla original e internacionalmente reconhecida.
Isso granjeou-lhe, alguns votos que, em caso de aparecer com a sua sigla, não aconteceria.
Quando foi por ordem do Tribunal Constitucional obrigado e mostrar a sua sigla na coligação os votos, inexoravelmente, caíram.
Será isso o que a UNITA teme?
Isso será dar o flanco aos seus adversários e reconhecer pouca capacidade de mobilização e menoridade política, o que pensava não ser verdade.
Porque não basta dizer que quer ir sob o signo da mudança através do “Movimento para a Mudança” para construir os fundamentos de uma Angola moderna onde a corrupção seja claramente combatida.
Os angolanos querem muito mais que signos ou movimentos.
Querem ideias fortes, um programa eleitoral exequível e actos conducentes nesse sentido!
Mas querem, também, que assumam-se sem subterfúgios e deixem eventuais coligações para depois das eleições, para a formulação do Governo, de um Governo, que deverá ser, desta vez e claramente, de unidade nacional!
13/Jun/2008 ©Publicado no Notícias Lusófonas, na rubrica "Colunistas" em 13.Junho.2008, (http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=21191&catogory=ECAlmeida) |