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28 de Janeiro de 2012
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2009 - Prefácio do livro "Dicionário de Administração Eleitoral", de Jorge Castelo David | Imprimir |

Prefácio do livro

"Dicionário de Administração Eleitoral: Organização de Eleições Democráticas, Transparentes e Livres" de Jorge Castelo David
por: Eugénio Costa Almeida© 

 

 

A Democracia é uma vasta experiência humana que implica desenvolvimento da consciência cívica e da cidadania”. Assim introduz Jorge Castelo David esta sua obra que pretende possa ser um valioso contributo para a consolidação das consciências cívicas em favor de uma nobre missão para qual todo o cidadão deveria ter o direito de a usufruir: votar.

 

Votar conforme o que diz e aponta a sua consciência e não votar conforme ditam os valores amorais de ditadores, autocratas e pseudo-democratas. Ou seja, e pós-citando o autor, todo o cidadão quando vota, aspira que o seu voto possa-lhe permitir viver numa sociedade democrática e próspera, naturalmente responsável, onde as “acções de todos prosseguem como objectivo único, sacro e final, o desenvolvimento humano”.

 

Mas esse é o grande problema da moderna sociedade cívica africana.

 

Durante décadas ensinaram-lhe que o poder consubstanciado numa pessoa – um líder – ou num partido, ou uma Nação/Povo seria o mesmo.

 

Quantas vezes não nos recordamos de ouvir nos diferentes comícios ou reuniões partidárias, de acordo com os preceitos da escola soviética, que o partido “XX” era o Povo e o Povo era o “XX”. E quantas vezes não ouvimos gritarem que ajudar o partido “XX” era ajudar o Povo, logo era ajudar a Nação.

 

Foram décadas ouvir e conceber, psíquica e mentalmente, mesma ladainha.

 

Por isso, qualquer obra que se venha constituir, não como um ponto final, mas ajudar a esclarecer as consciências cívicas dos eleitores africanos, em geral, e dos afro-lusófonos, em particular, será sempre bem-vinda.

 

E Jorge Castelo David tenta com esta sua obra “Dicionário de Administração Eleitoral – Organização de Eleições Democráticas, Transparente e Livres” ajudar a criar essa consciência.

 

O autor não quer com esta sua obra ensinar nada a ninguém. Tão-somente ajudar as massas eleitorais compreenderem como poderão ajudar a construir uma Nação mais justa, fraterna e desenvolvida utilizando a sua mais preciosa arma em tempo de Paz e de Justiça: o voto!

 

Para isso o autor começa este seu ensaio explicando sumária e fluidamente alguns preceitos sobre a Democracia eleitoral e os instrumentos que possam ajudar a implementá-la e sustentá-la terminando com um Dicionário dos termos eleitorais mais comuns.

 

Ou seja, o autor quis que o seu Povo e todos os povos a quem este ensaio é dirigido, em especial ao nobre Povo Africano, cuja escolaridade e a neo-consciência cívico-política de Democracia Ocidental é inferior aos dos seus companheiros europeus e americanos possam compreender como proceder em tempo eleitoral, sem amesquinhar a sua sensibilidade ancestral de convivência comunal na linha do que, nomeadamente, Joseph Ki-Zerbo preconizava como sendo o retorno da imaginação institucional

 

das sociedades africanas à sua tradição de criatividade reconstruindo a identidade dos povos africanos sem colocar em causa as vicissitudes históricas, teóricas e praxis de cada comunidade.

 

E Jorge Castelo David conseguiu-o na parte que toca ao à questão “Democracia” e “um Povo, um Voto”, porque teve a inteligência que tem faltado a muitos dos nossos formadores e dirigentes políticos que é explicar “o quê” e o “objectivo final” sem o impor, qualquer que seja o método para isso empregue.

 

Porque, apesar da Democracia ser, como referia Winston Churchill, também uma ditadura – a ditadura da maioria sobre a minoria – é a mais benigna delas todas. E não esqueçamos que a Democracia está alicerçada no seu volátil mas mais importante instrumento: o voto popular!

 

E para saber e se compreender as vantagens do voto, nada como ler este ensaio que Jorge Castelo David em muito boa hora, tendo em conta os acontecimentos recentes em África, no que concerne ao desrespeito pela vontade popular, faz publicar.

 

Os votos futuros estarão prontos para lhe agradecer.

 

Esta vai ser uma obra para os nossos futuros dirigentes, analistas e cientistas políticos terem sempre em cima da sua secretária ao lado dos dicionários e de livros de referência de autores clássicos como a “História de África Negra”, de Ki-Zerbo, ou “Paz e Guerra entre Nações”, de Raymond Aron, ou o “Sistemas Políticos Africanos”, de Fortes e Evans-Pritchards, ou de mais recentes como M. Hardt e A. Negri (Império), Max Weber, Robert Michels (Para uma Sociologia dos Partidos Políticos na Democracia Moderna), entre outros.

 

Obra publicada 2008/2009 e apresentada na Mediateca do BISTP, São Tomé, em 6 de Março de 2009
 
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