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11 de Maio de 2012
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2012 - Angola vai adoptar o Acordo Ortográfico? | Imprimir |

Angola vai adoptar o Acordo Ortográfico?
por: Eugénio Costa Almeida©

Ainda recentemente o Jornal de Angola (JA), através de um dos seus habituais e (in)caraterísticos editoriais, alguns sob assinatura, criticava o estímulo à adopção do novo Acordo Ortográfico porque, afirmava e bem, que havia coisas “na vida que não podem ser submetidas aos negócios”.

 

Acrescentava o JA que ninguém “mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula. Nestas coisas não pode haver facilidades e muito menos negócios. E também não podemos demagogicamente descer ao nível dos que não dominam correctamente o português”.

 

Recorde-se que, até agora, tal como Moçambique e Guiné-Bissau, Angola ainda não ratificou o Acordo.

 

Bom, qual não foi a minha surpresa hoje, ao ver no Deutsch Welle, que Angola está a estudar a implementação do Acordo “sensível” no País.

 

De acordo com o portal alemão, na sua boa secção lusófona, Angola, que preside à CPLP, está avaliar procedimentos para adoptar a nova ortografia em conjunto com países que já aprovaram o acordo (no caso, Brasil, Cabo Verde, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor Leste).

 

Segundo parece, o ministro das Relações Exteriores de Angola e presidente do Conselho de Ministros da CPLP, Georges Chicoti, terá revelado que uma equipa técnica de peritos angolanos está pronta para apresentar – ou terá já apresentado – um estudo visando essa adopção. Chicoti terá dito que pela importância “que ele representa, os ministros recomendaram que este estudo fosse apreciado na próxima reunião dos ministros da Educação, em Luanda, e em função disso eventualmente serão feitas recomendações que serão tidas em conta no Acordo Ortográfico vigente”.

 

Pessoalmente, e já todos sabem disso, não sou contra ao referido Acordo embora continue – e enquanto o aceitarem – a adoptar a versão portuguesa que me ensinaram no meu País e nas minhas escolas (da vida e académica).

 

Se necessário for, saberei, na altura própria perder alguns “pês”, certos “cês” e demasiados hífenes. Não sou, nem nunca fui um retrógrado empedernido, mas gosto da minha estabilidade linguístico-emocional.

 

Vamos lá a ver se, realmente, vai haver alterações na língua e como é que todos a vão conseguir adoptar. Recordava um país que ainda agora adoptou a língua portuguesa como oficial e já vai ter de a alterar sem ainda haver quem a saiba falar. Por certo sabem de quem falo, tal como os equato-guineenses o sabem…

 

*Investigador do CEA-IUL

©Publicado no portal da Lusofonia “Portugal em Linha”, na rubrica de Debate “Lusofonia”, em 17 de Fevereiro de 2011

 
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