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7 de Outubro de 2014
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2012 - A Liberdade de cada um, não deverá ser respeitada? | Imprimir |

A Liberdade de cada um, não deverá ser respeitada?
por: Eugénio Costa Almeida©


A liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade do outro, mas a liberdade e um Povo expira onde a liberdade de comunicação é suspensa por motivos que não se enquadram no panorama democrático de um País.

Soube-se, no decorrer desta semana que um órgão de informação nacional teve um percalço na saída e terá sido impedido de percorrer as estradas nacionais de leitura porque incluiria no seu interior uma peça jornalística que teria criado um problema viral às pessoas que gerem o respectivo órgão informativo.

De acordo com algumas vozes, a que o Sindicato dos Jornalistas terá feito eco, tudo poderá haver estado baseado nas “palavras à Nação” de Samakuva, líder da UNITA – numa réplica ao “Estado da Nação” do presidente dos Santos –, numa atitude que se louva por ser o líder da Oposição e por mostrar que quer participar no desenvolvimento do País.

Pessoalmente, ainda não houve a oportunidade de ler, na íntegra, a mensagem de Samakuva, apesar de ter a mesma em meu poder e do citado órgão, parece – o parece, hoje em dia, está muito em voga, porque nada e é tudo parece – que acabou por aparecer nas bancas, tardiamente, e com a referia comunicação encolhida.

A ser verdade esta eventual atitude, deram mostras de não respeitar a liberdade de cada um. A liberdade de quem escreveu, a liberdade de quem produziu e, mais grave ainda porque a condiciona, a liberdade de escolha do leitor.

Porque os jornais, a comunicação social, só existe porque há leitores, ouvintes e telespectadores que lêem, ouve, ou vêem as notícias e as opiniões emitidas para, posteriormente, terem a liberdade de as apreciar, citar ou questionar e criticar as mesmas e delas tirarem as ilações possíveis.

Há uma coisa que muita gente ainda hoje parece esquecer. Os órgãos de informação têm directores e editores que apreciam, previamente, as matérias jornalísticas e de opinião que se lhes deparam antes das publicações. E que os mesmos têm toda a liberdade de, naturalmente e sempre que assim se justificar, mesmo que não seja esse o entendimento do “produtor”, não publicar a matéria.

Se ela foi publicada, como parece ter sido o caso, deveu-se ao facto dos principais responsáveis assim o terem entendido para que a tal liberdade do leitor nunca venha a ser condicionada e a verdade de cada um seja dilatada a todos; e que todos, depois, a escalpelizem e saibam peneirar a fundamental essência da matéria.

Ora a ser verdade o que acusam as páginas sociais e o Sindicato dos Jornalistas, embora citando terceiros, houve uma inequívoca violação à Liberdade de expressão por parte de quem não deveria ter feito com a agravante desse sacrilégio se reflectir em terceiros que, no mais certo, nada têm a ver com a situação e não desejariam que tivesse acontecido.

E esse “terceiro” é o Presidente da República, Eduardo dos Santos que viu a sua liberdade de não falar na Assembleia Nacional ser posta em causa com esta absurda e estranha protecção feita com a censura às palavras de Samakuva.

Uma censura que se reflecte, ainda que talvez assim o não pensassem os autores da dita censura, no presidente da República. Recordemos que a oposição criticou a liberdade de dos Santos, enquanto presidente da República e não presidente da Assembleia Nacional, de não falar no acto oficial da abertura. Uma liberdade que se deve respeitar.

Porque se a ideia era abafar ou amortecer algum impacto das palavras do líder da oposição, Samakuva, acabaram por, naturalmente, ter um efeito maior e mais abrangente. A busca de informação é cada vez mais um acto natural nas novas populações, já de si mais intelectualmente evoluídas e, por esse facto, mais preparadas para analisarem e crivarem as notícias e análises emitidas.

É a Liberdade de cada um em simplificar a Liberdade de todos que ninguém ouse conseguir impedir.

E quem assim o tentar ou pensar, dificilmente poderá evoluir e será, irremediavelmente, deixado para trás.

Até porque, não esqueçamos, acabamos de entrar no mês da nossa Liberdade!

©Artigo de Opinião publicado no semanário angolano Novo Jornal, secção “1º Caderno” ed. 250, de 2-Novembro-2012, pág. 21. (igualmente citado no portal Angola24Horas - ver aqui)

 
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