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2006 - E a Coreia do Norte já tem mesmo um ICBM? PDF  | Imprimir |  E-mail
E a Coreia do Norte já tem mesmo um ICBM?
por: Eugénio Costa Almeida©

    De acordo com uma televisão japonesa, e citada no site português Diário Digital, a Coreia do Norte estará a preparar o lançamento/teste de um míssil intercontinental (IBCM – InterContinental Balistic Missile) com capacidade de atingir algumas regiões norte-americanas.
    Ainda assim, certos especialistas da área de estratégia duvidam desta real e efectiva capacidade balística.
    Porém, uma coisa temos, claramente, de reconhecer. Os EUA mantêm com a Coreia do Norte uma política de auto-contenção verbal face, por exemplo, ao que se passa com a política nuclear do Irão e, por outro lado, os sul-coreanos mantêm-se relativamente calados.
    A dúvida que se põe a um analista externo não está na eventual capacidade nuclear e militar da Coreia mas quem, realmente, a sustenta.
    Esse é o grande enigma da questão.
    Como é que um país em contínuo subdesenvolvimento económico, alimentar e produtivo pode exibir um tal poder militar; e porque é que as potências ocidentais – Rússia incluída – continuam a nada obstar nem tentar dissuadir esta situação.
    Será por não ser, realmente, a Coreia do Norte a real potência nuclear mas uma terceira entidade e, por acaso, um poderoso vizinho que a ajudou e a tem mantido desde a Crise de Coreia de 1950-1953 e que teve o seu epílogo com um armistício garantido pelo paralelo 38?
    Não será que a Coreia do Norte não é mais que uma plataforma alienígena para a prossecução dos intentos do seu poderoso vizinho cuja a capacidade de projecção política, económica e militar é, incontestavelmente, inquestionável?
    Realmente a Coreia do Norte já tem capacidade para sustentar um ICBM?
    Não me parece!!
    Vamos, e de uma vez, assumir os factos.
    A Coreia do Norte é, unicamente, uma plataforma para os testes balísticos intercontinentais da China Popular.
    Só que a necessidade de projecção mundial, a entrada na OMC, os apoios e investimentos económicos externos que têm entrado no país, incluindo dos EUA, são mais importantes para sustentar o seu exponencial desenvolvimento político, militar e económico.
    Não esqueçamos a proverbial paciência chinesa, contextualizada naquilo que, em tempos aqui escrevi, como sendo a política do Mahjong.
    Passo a passo até ao desfecho final, ou seja, até (re)criar o sonhado império de Gengis Khan e, caso possível, dominar económica e politicamente o “decadentalizado” Mundo ocidental.
    Passo a passo…

    19 de Maio de 2006

© Publicado no semanário santomense Correio da Semana, ed. nº. 66, de 27-Maio-2006.
 
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