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19 de Setembro de 2018
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2006 - O mês de África PDF  | Imprimir |  E-mail
O mês de África
por: Eugénio Costa Almeida©

    O Continente africano está, uma vez mais, a comemorar o seu mês.
    E como sempre, nesta altura, imensas realizações, conferências e prelecções irão ser efectuadas, reafirmando a necessidade do Continente gerador da Humanidade em ser preservado, acompanhado, defendido e estimulado na sua nobre função de auto-reestruturação e rejuvenescimento.
    Uma vez mais as palavras serão eternamente as mesmas e como habitualmente quase sempre ocas e destituídas de novos motivos de interesse.
    Um vez mais vão dizer que África deve se desenvolver, combater o SIDA, a malária/paludismo – e aqui um abraço a São Tomé e Príncipe que, embora longe de erradicado, vê o paludismo entrar numa fase de doença combatida –, a cólera, combater o imobilismo e a corrupção, etc. Tudo bonitas e ocas palavras.
    Como pode África se desenvolver, combater a corrupção, o imobilismo se vemos dirigentes sentados – diria calmamente sentados – nos seus “tronos” com o beneplácito de alguns senhores e Estados, reformulando, sempre que isso lhe convenha, Cartas constitucionais para perpetuar a sua permanência no poder – relembrava Idriss Deby, no Chade – ou o neo-colonialismo que alguns dirigentes deixam perpetuar para sua própria salvaguarda – alguém se esquece da capacidade “protectora” que a França mantém em alguns estados africanos, intervindo sempre que isso ponha em causa o seu “status-quo” –; como pode África combater as suas endémica e perigosas doenças se vemos dirigentes nacionais a negarem a sua existência mesmo que, no momento, um filho de um dos mais queridos Pais de África tenha falecido devido, precisamente a uma dessas doenças – SIDA – e depois de ele próprio o ter denunciado publicamente; como pode África combater o subdesenvolvimento endémico se o G8 promete apoios para o continente e até agora nada se viu? pelo contrário, vemos alguns países cuja credibilidade social e política é de qualificação discutível serem “sustentados” através da “limpeza” da dívida e uma União Europeia criar cada vez mais barreiras alfandegárias para impedir a livre circulação de produtos africanos na Europa e a exigência desta em fazer escoar os seus produtos a preços reduzidos e pouco competitivos para os similares produtos africanos, alguns de qualidade superior aos dos europeus; como pode África se desenvolver quando sendo um dos principais continentes fornecedor de crude – prospectiva-se que no futuro será, talvez, o principal, senão mesmo o único, – deixa que países que estão quase em situação de ruptura de stocks, nomeadamente, os árabes, possam continuar a se eternizar na OPEP e definirem as regras de jogo, como preços e capacidade extractiva de produção?
    A África tem de começar a olhar para si mesmo não só como um continente de oportunidades, sim, que o é, mas também como um continente auto-sustentável e auto-renovável sem controlo e dirigismos externos nem imposições de terceiros.
    África tem de ser ela mesmo. Tem de comandar os seus próprios desígnios.
    A começar por despachar aqueles que, clara e inequivocamente, a manietam: os corruptos.
    Para isso os africanos não podem permitir que sempre que isso lhes convenha os dirigentes façam alterar as Constituições locais.
    E é aqui que a Carta da União Africana deve entrar em plenitude. Assim os seus dirigentes o queiram… pena é serem sempre os mesmos.

    27 de Abril de 2006

© Publicado no semanário santomense Correio da Semana, ed. nº. 62, de 29-Abril-2006
 
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