| Pescador (1975) | | Imprimir | |
![]() PESCADOR Oh! Pescador!é a pesca o teu trabalho e a água a tua maior inimiga. Oh! Pescador! incansável trabalhador de quem uma população vive; tens o peixe por inimigo, a barca por companheira, a lua por conselheira e o povo por teu “consumidor”. Nas longas horas de fadiga tens na faina, às vezes, uma conselheira amiga. És tu pescador que passas ao relento a noite inteira, para alimentar uma população que, no entanto, de ti, se alheia; da vida terrível que levas, noite e dia, no teu frágil mas mui amigo dongo. Na madrugada quando regressas lá longe, uma luzinha te espera. É a tua companheira aflita, resignada, à tua padroeira por ti reza. E quando chegas, cansado, depois de muita luta infrutífera e sem rendimento, a maior parte das vezes, tens uma simples funjada como parco alimento. Sim, é este o seu sustento, para quem uma vida dura, agitada, passa. População ingrata que tal vida não te reconhece, a qual, muito banzé começa a fazer quando o peixe, esse alimento oblongo, começa a desaparecer. E tu, incansável trabalhador, para população satisfazeres no teu frágil dongo ao mar agitado lá vais tu, a rede lançar, para ingratos comensais sua fome saciar. É esta a tua sina inexorável. Oh trabalhador incansável. Vassalo, qual escravo maldito de uma multidão, ansiosa, que o teu peixe espera. E sempre, sempre no teu frágil e instável dongo. Lobitino Almeida N'gola Luanda, Maio de 1975 |
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