| Um Rio (1984) | | Imprimir | |
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UM RIO
Eis que nasce a criança, gerada em noite de inverno. O progenitor, um céu nebuloso a terra, a mãe extremosa. Rompe-se a bolsa; e eis que rola, serpenteia, doce, silenciosamente pelas agruras da encosta da vida. Cresce, alarga-se, varre, sulca. Para ela não há entulhos, nem prisões ou grilhetas. É criança ! traquina, cresce, corre; vai crescendo vai alargando. Serena, torna-se adulta, não vê perigos, mas vai brigando. Não é arredia, mas vai-se afastando, alagando, quem à volta dela vive. Sulca, corre, desliza. E eis que a criança, tão traquina ela era, adulta, responsável, se torna. Desaguando na multidão, azul ou verde, no meio de uma alva bruma. Repousa, descansa no remanso de um cristalino, e vivo mar; em breve, um belo dia, num verão, quente, muito quente, em fina gotas ao céu, vai tornar. Lobitino Almeida N'gola Lisboa, Novembro de 1984 |
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