| Recordo (1980) | | Imprimir | |
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Recordo Recordo aquela terra africana, rica e esplendorosa gigante e formosa. Recordo esta terra angolana. Seus filhos, hoje chagados, outrora felizes e quase unidos! Recordo aquelas matas paradisíacas e luxuriantes. Os rios caudalosos, torturantes de belas margens floridas! Recordo aquelas quintas e fazendas roças e quimbos, Os cafezais, e os bananais! Recordo aquelas tortuosas picadas ombreando belas e serpenteantes estradas, o rico mar, verde-azulado e límpido desfazendo-se em espuma nos belos e quentes areais das praias onde me desfiz! Recordo o contraste habitacional que me fez pessoa de consciência. As magníficas sanzalas, por onde passei; os quase indignos mas honrosos musseques, por onde me desencontrei; os arborizados bairros coloniais, onde morei! Recordo aquela terra africana que, do mar à fronteira leste, de Cabinda ao Cunene, suas matas, pântanos, a todos nós, sempre e sempre desafiava! Recordo… Recordo Recordo e não quero deixar de recordar de a amar, de a desejar, mesmo que alguns, ínscios, tudo façam e tudo orquestrem para nos olvidar, para nos calar! Recordo… Recordo Lobitino Almeida N'gola Lisboa, 1980 |
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