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19 de Setembro de 2018
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Recordo (1980) PDF  | Imprimir |  E-mail
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Recordo

 

Recordo
aquela terra africana,
rica e esplendorosa
gigante e formosa.

Recordo
esta terra angolana.
Seus filhos,
hoje chagados,
outrora
felizes e quase unidos!

Recordo
aquelas matas paradisíacas
e luxuriantes.
Os rios caudalosos,
torturantes
de belas margens floridas!

Recordo
aquelas quintas e fazendas
roças e quimbos,
Os cafezais,
e os bananais!

Recordo
aquelas tortuosas picadas
ombreando belas e serpenteantes estradas,
o rico mar,
verde-azulado e límpido
desfazendo-se em espuma
nos belos e quentes areais
das praias onde me desfiz!

Recordo
o contraste habitacional
que me fez pessoa de consciência.
As magníficas sanzalas,
por onde passei;
os quase indignos mas honrosos musseques,
por onde me desencontrei;
os arborizados bairros coloniais,
onde morei!

Recordo
aquela terra africana
que,
do mar à fronteira leste,
de Cabinda ao Cunene,
suas matas,
pântanos,
a todos nós,
sempre e sempre desafiava!

Recordo… Recordo

Recordo
e não quero deixar de recordar
de a amar,
de a desejar,
mesmo que alguns,
ínscios,
tudo façam e tudo orquestrem
para nos olvidar,
para nos calar!

Recordo… Recordo

 
Lobitino Almeida N'gola
Lisboa, 1980
 
 
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