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2013 - LM: Quem ganha com a actual “guerrinha” luso-angolana? PDF  | Imprimir |  E-mail

Quem ganha com a actual "guerrinha" luso-angolana?
por: Eugénio Costa Almeida©


 

Citando de memória o primeiro presidente de Angola, Dr. António Agostinho Neto, “Conseguimos ter melhores reações com os partidos de direita portuguesa do que com a esquerda que nos está próxima”. Isto foi dito, mais palavra, menos palavra, durante o consolado português da AD.

Uma vez mais, as reações Angola/Portugal passam, a nível institucional governativo por um excelente período com as recentes visitas do MNE português, Paulo Portas, a isso demonstrarem. Recordemos que PP chegou a afirmar que José Eduardo dos Santos, presidente de Angola, é “grandes líderes africanos” contra a opinião de alguns dirigentes portugueses, socialistas e bloquistas, que consideram o actual regime angolano mais próximo de uma autocracia, de uma democratura.

Se a nível institucional governativo as relações parecem ser próximas do ideal – espectava-se uma visita, em breve, do chefe de governo português Passos Coelho, a Angola – já as relações comunicacionais estão em linha de ruptura com vários confrontos entre o órgão oficioso do Governo de Angola, o Jornal de Angola (JA), e alguns órgãos justicialistas e comunicacionais de Portugal, nomeadamente, o DCIAP e o Expresso.

Por norma o JA reflecte a linha oficial de Luanda. Todavia, quando os temas saem directamente da pena do seu director fica-se com a sensação que elas difundem somente a vontade do mesmo em criar conflitos entre a sua original terra-pátria e a sagrada terra de acolhimento.

No entanto, não se pode deixar de admitir que algumas das afirmações apresentadas nos recentes editoriais do JA não deixam de conter alguma incómoda verdade para quem lê e quem comenta.

Senão vejamos, como é possível que um processo, natural nas relações interbancárias, já seja apresentado como um processo jurídico sob a forma de inquérito pecaminoso? Do que se sabe, o PGR de Angola só fez uma transferência em dinheiro que, ultrapassando o limite máximo normal aceite internacionalmente, levou a que o banco depositário avisasse o banco central e este, por sua vez, dado ser uma entidade estrangeira, avisasse o sistema jurídico português que, mais não terá feito que cumprir as normas e mandar uma carta rogatória ao PGR angolano solicitar os devidos e oportunos esclarecimentos.

Ora a notícia que se transmitiu quase indiciava que o visado era um veículo de “limpeza” de dinheiro e, naturalmente, ninguém gosta que um seu magistrado seja conotado desta forma. Com a agravante do caso mostrar contornos de fuga de informação; nada que já não seja habitual na Justiça lusa.

Acresce que esta notícia teve maiores honras por ter acontecido por alturas do aniversário da morte de Jonas Savimbi, reconhecido como o último líder africano que defendia a liberdade efectiva dos africanos e que, simultaneamente, era admirado pelo actual chefe da diplomacia portuguesa e por aqueles que debradam Eduardo dos Santos – recorde-se as palavras de Mário Soares na sua recente biografia, da autoria de  jornalista Joaquim Vieira, quando verbera a entrada dos antigos líderes norte-africanos derrubados pela “Primavera árabe” e aos quais inclui o MPLA e dos Santos, na Internacional Socialista.

Havia a necessidade do editorialista reafirmar a sua veia internacionalista.

E para que a actual onda de “transmissão de balas” entre Luanda e Lisboa não seja incompleta o JA vem agora defender o fim dos investimentos angolanos em Portugal. Na prática, algo que o presidente da SONANGOL, de certa forma, já adiantou quando terminou com o emparelhamento com a CGD para a criação de um banco de investimento.

Na realidade, o JA mais não está a fazer que dar corpo às palavras e a um certo xenofobismo que ai emergindo no espaço social, nomeadamente no Facebook, onde alguns angolanos – e mesmo portugueses, residentes há muito em Angola – saem em de defesa da angolanização efectiva do espaço económico e social do país e o fim da entrada de expatriados, nomeadamente portugueses, demasiadamente bem remunerados em detrimento dos que já cá (lá) estão ou cá (lá) nasceram.

Talvez seja altura de Passos Coelho antecipar a sua visita a Angola para renormalizar as relações e evitar algum exacerbar de palavras que possam afectar preocupantemente as relações luso-angolanas e, depois, se torne tarde para recuperar tempo perdido.

Portugal perde mais com estes patéticos “trespassar de balas” entre dois órgãos de informação – há quem avente que isto é mais uma pequena guerrilha entre dois semanários lusos com manifestos e ingénuos efeitos colaterais – caso os portugueses comecem a se sentir indesejáveis em terras da Kianda e arredores; seriam mais uns quantos desempregados para os já existentes…

©Artigo de Opinião publicado no portal LusoMonitor em 28-Fevereiro-2013 (http://www.lusomonitor.net/?p=296)

 
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