Resumo:
Este texto procura abordar, ainda que de forma menos intensiva, a Cooperação, no âmbito da Defesa e Segurança Técnico-Militar, entre a URSS, primeiro, e a Rússia, após a implosão daquela, com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) (onde se inclui – por já fazer parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP) – a Guiné-Equatorial, bem como os principais elementos que formam essa Cooperação; e procura ver como esta cooperação poderá impactar nas relações com Portugal.
Palavras-chave: África, PALOP, URSS, Rússia, Cooperação Militar, Segurança; Portugal
Abstract:
This text seeks to address, albeit in a less intensive manner, the Cooperation in the scope of Technical-Military Defense and Security between the USSR, initially, and Russia, after the implosion of the former, with the African Countries of Official Portuguese Language (PALOP) (which includes Equatorial Guinea, as it is already part of the Community of Portuguese Language Countries – CPLP), as well as the key elements that form this Cooperation; and seeks to see how this cooperation could impact relations with Portugal.
Keywords: Africa, PALOP, USSR, Russia, Military Cooperation, Security, Portugal
Introdução
A relação entre a Rússia (e anteriormente a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, vulgo União Soviética, ou URSS) e os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), que são Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) tem suas raízes nas complexas dinâmicas da Guerra-Fria (Oliveira, 2009), onde as potências globais buscavam influenciar países emergentes, especialmente aqueles em processos de descolonização.
A União Soviética, em particular, aproveitou-se das lutas anti-coloniais na África para expandir sua influência, oferecendo apoio militar, formação e acordos de cooperação nas áreas de defesa e segurança.
A interacção histórica entre União Soviética, até 1991, e Rússia, desde a implosão daquela, e os PALOP – de que fazem parte oficial Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe e que incluirá, igualmente, a Guiné-Equatorial, dado ser Estado-Membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), logo, por inerência, deve ser considerado um Estado PALOP – tem se caracterizado por um complexo conjunto de acordos de cooperação no domínio da defesa e da segurança. Estas relações foram influenciadas por factores políticos, económicos e sociais, e têm raízes profundas que remontam à era da Guerra-Fria, facto que foi e tem sido acompanhado pelos estrategas brasileiros, no âmbito daquilo a que designam como o seu “Entorno Estratégico Brasileiro” (Albuquerque, 2020), apesar da aproximação político-económica que existe entre o Brasil e a Rússia, na vigência dos BRICS .
Este ensaio tenta examinar, com o maior detalhe possível, os acordos assinados com cada um dos PALOP, as suas implicações e o contexto histórico, além de trazer uma perspectiva sobre a evolução dessas relações até os dias actuais.
E porque a posição dos PALOP face a Portugal e vice-versa é importante, procurou-se analisar quanto o impacto destes Acordos para as actuais relações com Portugal e, por extensão, para o Ocidente de que, geopoliticamente Portugal faz parte.
Enviado em 31 de Outubro de 2024
Revisto e enviado em 26 de Dezembro de 2024
Aceite em Janeiro 2025
(poderá ler aqui o texto na íntegra - pdf da Revista Militar - ou clicando no acesso oficial da Revista Militar, infra e, ou, na imagem)
Publicado na Revista Militar 2677-2678 - 2/3 – fevereiro/março 2025; pp. 225-239.
