RM 2532 Janeiro 2013Rev-Militar-2532---Jan-2014.jpg

“….O Atlântico Sul constitui uma ponte entre continentes irmãos […] e que hoje se reúnem, aqui em Montevidéu, com um foco mais específico: o da dimensão sul-atlântica. A importância do Atlântico Sul tem-se evidenciado no cenário global na mesma proporção em que se projeta e com impulso cada vez maior, a presença sul-americana e africana, seja pelo desenvolvimento económico e social, seja pelos passos dados no caminho da sustentabilidade, seja pelas descobertas de enormes reservas minerais e petrolíferas, seja pelos seus abundantes recursos de biodiversidade. No plano do comércio internacional, outras áreas marítimas, como o Índico e o Pacífico, atraem talvez maior atenção, por concentrarem rotas de especial relevância para as maiores economias. Mesmo nesse plano, contudo, o Atlântico Sul é, para nós, decisivo…”.
Discurso do Ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, António de Aguiar Patriota na VIIª Reunião Ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, Montevidéu, 15 Janeiro 2013

Introdução
Nos anos mais recentes, a procura de recursos energéticos têm ganho uma maior proeminência no contexto geoestratégico energético internacional, nomeadamente devido ao facto do petróleo e do gás natural desempenharem um papel relevante no quadro da balança energética global. A sua utilização, tendo em conta a limitada disponibilidade destes recursos (não renovável) contribui para criar novas dinâmicas nas Relações Internacionais e conduziu, segundo Roland Pourtier, a uma reavaliação das estratégias energéticas, tanto nos países produtores, como nos países consumidores, com repercussão muito específica nas dinâmicas político-estratégicas em África e na América do Sul e nomeadamente na região que os ligam o Atlântico Sul (2011, pp. 240-242).
Nesse contexto, o Oceano Atlântico, na sua vertente mais a Sul passou a ser uma área de interesse estratégico para os Estados ribeirinhos, levando estes a associarem-se em Organizações Regionais com vista a colmatar as suas necessidades de segurança e defesa. Exemplo deste paradigma atual é a criação relativamente recente da “Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul” (ZOPACAS) e da “Comissão do Golfo da Guiné” (CGG) que têm em vista contribuir, entre outras áreas de cooperação estratégica, para uma maior segurança e desenvolvimento na região sul do Oceano Atlântico.
A presente reflexão visa, neste contexto, analisar a intercolaboração entre estas duas organizações multidisciplinares (político-militares) do Atlântico Sul: a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul e a Comissão do Golfo da Guiné, incidindo especialmente na temática da segurança marítima e apontando cenários de cooperação estratégica para o futuro. (...)

Publicado na Revista Militar 2532, voluma 1 - Janeiro 20132, páginas 43-61 (pode ser lido na íntegra acedendo aqui ou nas fotos)

Partilhe este artigo
Pin It

Escreva-me

Pesquise no site