Eugénio Costa Almeida
De acordo com recentes notícias provenientes de Luanda a UNITA prepara-se para ir a votos, para a chefia do Partido, no próximo Congresso a realizar em 2007.
Perfilam-se como candidatos naturais o actual presidente, Isaías Samakuva, o candidato derrotado das últimas eleições internas e primeiro presidente interino pós-Savimbi, Paulo Lucamba “Gato”, e o sempre pronto candidato, Abel Chivukuvuku.
Em período pré-eleitoral nacional – para quando as eleições legislativas e presidenciais? o registo eleitoral já começou; a ver vamos – a UNITA dá mostras de uma vitalidade democrática pouco reconhecida em África, em geral, e, muito menos e infelizmente, em Angola.
Apesar de se clamarem democratas mas com práticas nada consentâneas com a matriz política que a Democracia encerra, hão em Angola indivíduos e organizações que mostram desconhecer, ou não querer reconhecer, o significado da raiz etimológica e aristoteleana da palavra – “demokratia”, demos (povo) kratia (poder), ou seja, o povo no poder – actuando como se o poder e o povo fossem eles e só eles.
Por isso, saúda-se este desenvolvimento pré-eleitoral, claro e aberto, da e na UNITA. Um exemplo que deveria ser seguido por muitos mais.
Um sinal que a democracia em Angola não é uma palavra vã e que deve ser olhada não como um “bicho” perigoso que nos tira o nosso “pão” mas que nos reforça a nossa consciência como Homens e como Cidadãos com plena capacidade de intervenção nos sagrados actos da Nação.
Relembremos as palavras do reeleito presidente de São Tomé e Príncipe quando na tomada de posse afirmou que em questões de democracia Angola não teria capacidade para ensinar nem dar lições.
Porque será?
Talvez porque há quem pense que pelo facto de ser do GURN tem de deixar de ser do partido que o lá colocou? Ou que uma coisa é incompatível com a outra?
Relembrava o que se passa no Ministério do Comércio, cujo o Ministro, por acaso militante da UNITA, Joaquim Muafumba, se viu desautorizado pelo MPLA quando desejou demitir – ou substituir – o director nacional do comércio, Gomes Cardoso; de acordo com algumas notícias, elementos afectos ao principal partido no poder terão feito chegar ao Ministro que “ele é do GURN sim senhor, mas é da UNITA, e como tal não tem de saber tudo nem ter o controlo sobre toda a gente do seu Ministério”.
Sabe-se que o seu ministério não tem pautado pela melhor coordenação e gestão e, por vezes, são formuladas acusações de nepotismo, apontando-se casos como o de colocar a sua filha como directora-adjunta num organismo do Ministério; mas como diz o velho ditado bíblico “quem não tiver pecados que atire a primeira pedra”. Será que há candidatos?
Se assim for como se explica que pessoas que se dizem afectos e militantes do MPLA tomem precisamente posições contrárias e mostrem uma postura inusitada e imprópria da democracia?
Navegam no poder como se fossem correias de transmissão do partido. Será que este estará de acordo com muitas das posições desses seus militantes?
Pelo que sei, ouço e leio não será assim.
A Democracia não se gere conforme as conveniências e as vontades intrínsecas de cada um. Ou se é democrata ou não se é democrata.
Esperemos que, como nas últimas eleições na UNITA, esse sublime acto de Democracia – as eleições –, tenham o mesmo final: os derrotados aceitarem com elevação a derrota e ajudem, desinteressadamente, o líder e este saber ouvi-los sempre que tal for necessário.
É assim em Democracia.
Por isso uns se dizem democratas e outros dão o exemplo.

© Publicado no Africamente a 28 de Novembro de 2006
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