O Presidente da República, João Lourenço, completou 6 meses desde que assumiu o cargo de Presidente da União Africana.
LZ-NJ. Como avalia o seu desempenho neste período?
R.: O balanço, de uma maneira geral, pode-se considerar como sendo misto. Por um lado, o Presidente João Lourenço tem procurado afirmar-se como voz activa na diplomacia africana, destacando a necessidade de maior integração económica e reforço da segurança regional. Porém, a sua presidência ainda não conseguiu traduzir esses objectivos em acções concretas com impacto direto.
Por outro lado, muitos desafios estruturais do continente — conflitos armados persistentes, instabilidade política em alguns países e dificuldades económicas generalizadas — parecem persistir sem avanços visíveis, pelo que, apesar de evidenciar uma retórica firme, os resultados práticos ainda permanecem limitados.
Todavia, há que reconhecer que o Presidente João Lourenço se tem destacado por reforçar a importância da infra-estrutura como pilar fundamental da Agenda 2063, apelando à Comissão da UA para desenvolver uma estratégia que mobilize parceiros internacionais para investimentos "com benefícios mútuos" sejam em infra-estruturas ferro-rodo-portuárias, sejam em energia e inovação tecnológica.
LZ-NJ. O que já fez até agora, até ao fim do mandato será capaz de concretizar o que elegeu como linhas prioritárias do seu governo?
R.: Até agora, o Presidente João Lourenço destacou-se sobretudo na área da diplomacia, com participações em fóruns internacionais e tentativas de mediação de crises regionais. No entanto, pouco se viu em termos de medidas estruturais que permitam consolidar as suas linhas prioritárias: paz, segurança, integração económica e afirmação de África como um player global.
O tempo que resta até ao fim do mandato é curto e os obstáculos persistem, pelo que dificilmente conseguirá concretizar em pleno, ou no máximo possível, os objectivos a que se propôs. O risco é que a sua presidência acabe por ser lembrada mais pela continuidade do que pela inovação, e por promessas mais do que por resultados efectivos.
Ainda assim, temos de reconhecer que a presidência angolana de João Lourenço tem obtido alguns resultados político-económicos, como na recente IX Conferência de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD), ocorrida em Yokohama, parecem estar a evidenciar, destacando-se a proposta japonesa da criação de uma zona económica Índico-África para o livre comércio inter-continental (tenho como foco, contrariar a cada vez maior influência chinesa no continente africano).
Parte da entrevista foi publicada no semanário Novo Jornal (Angola), na ed. 902, de 29.Ago.2025, páginas 10 e 11; Para ter acesso à mesma, publicada, clique aqui ou na imagem
(2025) Entrevista escrita sobre os primeiros 6 meses de João Lourenço na União Africana
Entrevista escrita sobre os primeiros 6 meses de João Lourenço na União Africana (concedida a Leonel Zamba, do NJ) publicada no Novo Jornal, ed. 902, de 29.Agosto.2025

