Eugénio Costa Almeida
NJ715 20211210 Calimeros oupng
Sempre que há alguma situação menos habitual e África é visada, em regra e na maioria das vezes, tomamos sempre uma de duas atitudes: ou fazemos de Calimero ou gritamos bem alto e bom som que estamos a ser indelevelmente perseguidos (Stalkeados)!
Calimero, como a maioria de vós devereis saber e reconhecer era uma personagem de animação italo-japonesa que passava a vida a lamentar-se, a sentir-se infeliz e injustiçado, usando frases do tipo: “é uma injustiça, abusam de mim porque sou pequenino” para atestar essas perseguições psicóticas.

Desta postura emergiu o Síndrome de Calimero pelo qual a “vítima” culpa os outros pelas suas falhas, nomeadamente, nas áreas do relacionamento amoroso, familiar, escolar, de amizade, de trabalho, político, militar, etc.
No caso dos Stalkeados existem dois tipos de pessoas: aquelas que, efectivamente, são alvo de perseguição por stalkers (perseguidores, nomeadamente, na área do cyber-crime) e os que têm a mania de estarem a ser sempre perseguidos por terceiros.
Ora, é o que se passa no seio do Continente Africano, em particular, entre os nossos líderes continentais: ora estão sob o espectro do Síndrome de Calimero ou esbracejam invocando que estão sempre a ser stalkeados.
Infelizmente, porque usam e abusam destes dois termos psicóticos, acabamos por ser olhados como umas “crianças irascíveis” que devem ser castigados com a entrega de “prendas” só no fim e quando os “dadores” o entenderem.
Tem sido sempre assim com a des ou falta de industrialização do Continente, porque é mais vantajoso para os países industrializados, sugarem as nossas matérias-primas, com mão-de-obra barata, e produzirem eles os artigos acabados do que nos ensinarem a pescar, ou seja, ajudarem à criação e instalação de indústrias produtivas no Continente, o que, também, permitiria impedir a fuga de pessoas – migrantes irregulares e refugiados – para a Europa e Américas; ou, mais recentemente, co a pouca disponibilização de vacinas para impedir o avanço da pandemia do SARS-Cov-2 (Covid-19) e suas variantes porque, certamente – embora nunca o digam, pelo menos publicamente – acham que gastamos rios de dinheiro com coisas fúteis e sem interesse para os nossos países; ora se assim o procedemos, também podemos comprar as vacinas se esperar que nos ofertam.
É por isso, indiscutivelmente, na minha opinião, que andamos, em todo o Continente, pelos 4% a &6% de vacinados – e com uma única dose – contra o Covid-19.
Este facto, ou seja, esta falta de vacinação, implica – todos os abemos, excepto, parece os nossos líderes e o resto das lideranças Mundiais (será que não sabem, mesmo ou não o querem dizer?) – que a pandemia continue a navegar livremente entre os Continentes, em particular, entre África e a Europa e as Américas. Até quando? Porque a ONU não faz ouvir alto e bom som a sua voz crítica, não aos dadores, mas aos líderes africanos para em vez de gastarem dinheiro em coisas fúteis – e não é necessário descrevê-las – usem os fundos dos seus países e os seus fundos (resultantes da exportação dos minérios, dos petróleos, da agricultura e do que mantêm fundos indevidos no exterior) para a compra das vacinas. Negoceiem-nas! Usem para isso o apoio de países terceiros e amigos…
E quando surgem variantes descobertas ou, mais concretamente, divulgadas em África – o caso mais recente é o da variante Ómicron cuja presença na África do Sul oi detectada pelos seus cientistas, sem que isso comprove que esta variante tenha começado no país de Madiba, até pelo facto do primeiro detectado na Bélgica não ter estado na África Austral, mas na Turquia e no Egipto – somos logo postos em quarentena mundial.
Alguém vê os nossos líderes combaterem essas situações? Não, em regra, ou ma larguíssima maioria dos casos, ou copiamos logo o que os outros fazem – pomos em quarentena os nossos vizinhos – ou optamos pelos psicóticos papeis de Calimero e, ou Stalkeados!
A recente carta-aberta de José Eduardo Agualusa e Mia Couto mostram o que deveríamos fazer e verberar (com sentido!).
Mas é tão simples gritar que nos perseguem ou que abusam de nós porque somos pequeninos e pobres, mesmo que eles, os líderes e similares, tenham inúmeros fundos irregulares e corruptos no exterior a “descansar” em bancos “amigos” ou em offshores com as populações padecerem de fome, de desemprego, de pandemias…
Até quando?

Publicado Novo Jornal, edição 715, de 10 de Dezembro de 2021, pág. 13
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