No passado sábado, 25 de Agosto, faleceu, em Cincinnati, o primeiro Homem a pisar e saltar na Lua, Neil Amstrong, à época, comandante da nave espacial norte-americana Apolo 11.
Neil Amstrong teve, no momento em que deixou a sua marca no território lunar, teve uma frase que ainda perdura no tempo e que é um marco para a Paz mundial: um pequeno passo do Homem um passo gigantesco para a Humanidade.
Recordo que quando isto aconteceu, em 20 de Julho 1969, tinha eu quase 13 anos, ouvia, tal como todos os que estavam em terras angolanas, o desenrolar do maravilhoso acto pela rádio e, simultaneamente, acompanhava o desenvolvimento da transmissão no antigo Observatório privado e amador da Mulemba, que, á época, ficava a cerca de 4 quilómetros de Luanda, um pouco abaixo e frente á refinaria de Luanda.
Infelizmente, os nossos políticos não souberam – ou não quiseram – preservar um serviço reconhecido e acarinhado até pela própria NASA que via no Observatório um suporte e um apoio exemplara no continente africano.
E que tem Neil Amstrong a ver com o acto eleitoral que hoje, desde muito cedo, se verifica em Angola.
Tudo… e nada.
Tudo, porque Neil Amstrong com o seu humanitário e heróico feito provocou, na altura, um momento de Paz inigualável entre a comunidade internacional, mesmo que essa acção se devesse a uma corrida desenfreada entre os EUA e a antiga URSS pela conquista do espaço sideral, começada com a nave soviética Sputnik, e os seus intermitentes “pis”, a 4 de Outubro de 1957, provocando uma enorme dor de cabeça à então administração norte-americana e levando esta a decretar o desenvolvimento das actividades espaciais e recuperar o tempo perdido para os soviéticos.
Nada, porque Angola, apesar de poder hoje estar entre as principais Nações com actividade aeroespacial e poder ser uma fonte de apoio a estudantes africanos não soube, ou não quis, aproveitar o que um astrónomo amador e inventivo criou com tanto carinho e sem apoio do então governo provincial e da então metrópole.
E nada porque se há algo que o eleitorado angolano tem é os pés bem assentes na terra, mais ainda, bem assentes na vermelha terra angolana.
E, por isso, hoje a comunidade angolana, no País – a diáspora, uma vez mais, ficou afastada do acto eleitoral, mas não distante – vai escolher com Paz e harmonia, como se deseja, os seus representantes na Assembleia Nacional (Parlamento) e, por extensão e indirectamente, o seu/nosso Presidente.
Provavelmente, será mais um plebiscito que uma eleição. Mas, oficialmente, será sempre uma eleição.
Uma eleição onde os nossos representantes serão eleitos directamente para legislar e fiscalizar os actos oficiais do Governo e, simultaneamente e de forma indirecta, eleger o Presidente e Vice-Presidente da República.
Haverá, por certo, alguns politólogos que não concordarão comigo quando afirmo que a eleição presidencial é indirecta. Mas essa é a minha opinião e Perspectiva.
Habitualmente o Presidente é eleito de duas formas: directa, se o(s) candidato(s) aparece aos olhos do eleitorado individualmente, com, ou não, apoio directo de um ou mais partidos; ou indirecta, quando um grupo de deputados o(s) propõe(s) e o hemiciclo os vota.
Isto é o normal. Mas nós quisemos ser diferentes. Tentámos imitar os sul-africanos mas com mais substância.
Ou seja, os sul-africanos ratificam no hemiciclo o seu presidente cooptando o líder do partido mais votado para a presidência, mesmo que o dito nem tenha assento no Parlamento.
Angola, foi mais longe ou, pelo menos, deu mais garantias democráticas à proposta apresentada. É ratificado sim como presidente, mas o líder eleito e o nº 2 do partido mais votado.
Isto é uma clara eleição indirecta dado que, na realidade, o eleitor não vota em nomes mas num partido e depois deste sai o Presidente eleito. Em qualquer dos casos, o que se deseja é que o acto que hoje – e que se espera seja alegre, fraterno e imparcial – decorra sem problemas de maior, com nobreza e, independentemente de todas as críticas que surjam – e vão, por certo, sempre surgir, até pelos antecedentes – acabem por serem aceites por todos com elevação e justiça.
Todos sonhamos, todos os dias, com um gigantesco passo para a Humanidade e sei que o nosso Povo saberá oferecer esse passo hoje e amanhã…
Publicado no semanário Novo Jornal, edição 241, de 31.Ago.2012, página 23 (1º Caderno-Opinião)
