Eugénio Costa Almeida

CV JN 05052005

Que há em Cabo Verde que o faça diferenciar de outro na Mãe-África? À partida nada.
Mas, todavia, nos 30 anos que Cabo Verde leva como nação independente – e Cabo Verde pode-se clamar, como poucas, de ser Nação – conseguiu se tornar numa referência não só para os seus vizinhos como, sobretudo, para os países irmão da lusofonia.
É, indiscutivelmente, o único país africano da CPLP – quase diria, de todos - que tem conseguido manter um ritmo de crescimento, social, económico e político.
Conseguiu uma transição política pacífica e soube mantê-la como poucos. A rotatividade política é um facto; conseguiu sair de um regime de partido único, flexível e pragmático, para a democracia ocidental sem sobressaltos. A estabilidade económica vê-se no rendimento per-capita, cerca de 1200 euros. O equilíbrio social, embora ainda que periclitante, começa a dar mostras de irreversibilidade – um país que, quando se emancipou há 30 anos, era dos mais pobres está, actualmente e em África, referenciado como um dos primeiros no ranking do IDH.
Nos trinta anos de vida, Cabo Verde soube aliar uma política de não-alinhamento com uma abertura ao Mundo exterior, como receptor de ajudas e investimentos externos, sem pôr em causa a sua identidade.
A sua posição geoestratégica, no contexto centro-atlântico, é saliente.
Não estranha, por isso, que Ribeiro e Castro aconselhe a integração dos caboverdianos no grupo da Macronésia, que integra Açores, Canárias e Madeira que gozam de um estatuto especial dentro da EU. Ou seja, Cabo Verde tem mais possibilidades de entrar para o clube europeus do que uma Turquia, Tunísia ou Marrocos.
Daí a pergunta inicial. Que diferencia a Morabeza dos outros? Tudo e nada. Só Cabo Verde.

Publicado no Jornal de Notícias "Comentário", em 05 de Julho de 2005

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