Eugénio Costa Almeida

Em 2002, George W. Bush afirmava que o G8 trabalharia em parceria com nações e líderes africanos, no âmbito do NEPAD, com vista a um continente africano onde as vidas cresçam em liberdade e prosperidade. Um dos compromissos a ser assumido pelos africanos estava na prevenção e redução dos conflitos no continente.
Três anos se passaram e o G8, com Blair e Bush como timoneiros, volta ao início.
Ou seja, apelam e “oferecem” um perdão total da dívida, na primeira fase, a 18 dos países mais pobres do Mundo, entre eles, 14 africanos. Mais tarde serão perdoados mais 20 países.
O objectivo primeiro da moção Brown, e “ratificada” pelos seus parceiros, é a redução da miséria no Mundo até 2015. Um objectivo feliz e atraente. Mas, exequível?
Ora onde está e qual é a real dívida a ser perdoada? E porquê aos que vão ser, agora contemplados, para não falar nos próximos.
O problema do G8 não está no perdão da dívida. Na prática eles nada, ou quase nada, vão despender com o perdão. Serão o Banco Mundial, o FMI e o BAD quem o irão fazer; certo que os países industrializados irão compensar o BM e o BAD, mas o FMI assegurará sozinho esse perdão. Sozinho? Não. Os membros do FMI terão de se quotizar para fazer face a este buraco de 6 mil milhões de euros.
Mas então o que dá o G8 com o perdão da dívida. Simples. Mais capacidade aos países perdoados para se armarem e continuarem com os seus desmandos sociais e políticos.
Que credibilidade merecem países como Etiópia, Mauritânia, Uganda, ou Mali, para serem credores do perdão devido a medidas de transparência e luta contra a corrupção se entre eles estão alguns dos maiores consumidores de armas – o Reino Unido que o diga – e postos avançados da corrupção em África.
E não há Live 8 que ajude quando os receptores não ajudam.

Publicado no Jornal de Notícias, 3/07/2005. pág 5, rubrica “Tema da Semana”

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